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    Essa história está diferente - Dez contos para canções de Chico Buarque

    Luis Fernando Verissimo, Mario Bellatin, João Gilberto Noll, Alan Pauls, Xico Sá, Mia Couto

    Companhia das Letras
    2010
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-10: 8535916423
    Português Brasileiro
    3.5
    346 avaliações
    Leram611Lendo84Querem591Relendo1Abandonos40Resenhas21
    Favoritos20Desejados591Avaliaram346

    Como ficaria o cancioneiro de Chico Buarque visitado pela literatura? Alguns dos principais autores contemporâneos se inspiraram em canções clássicas do compositor para escrever narrativas surpreendentemente originais. Em Essa história está diferente, dez autores de estilos diversos recriam em ficção o cancioneiro do compositor carioca Chico Buarque. Na composição do time de autores, organizado pelo escritor e jornalista Ronaldo Bressane, a ideia foi universalizar o imaginário do autor de Budapeste e Leite derramado. Pelo caráter multifacetado, a obra do compositor de versos como "O meu pai era paulista/ Meu avô, pernambucano/ O meu bisavô, mineiro/ Meu tataravô, baiano/ Meu maestro soberano/ Foi Antonio Brasileiro" sintetiza o Brasil - e cada vez mais conquista o mundo. Os registros literários captados por esta antologia foram os mais díspares: alguns contos se baseiam fielmente nos "causos" musicados por Chico, outros os usam como trilha sonora, cenário, atmosfera, outros emprestam das canções a estrutura, e há aqueles que somente o utilizam como mote. Entre os autores internacionais, o argentino Alan Pauls adaptou Ela faz cinema e a transformou na história de um pai zeloso que combina o ciúme pela mulher e pela filha com manias como ler num restaurante enquanto come; o mexicano Mario Bellatin inspirou-se em Construção para ambientar a narrativa de um homem que, numa consulta ao fisioterapeuta, escuta uma história bizarra envolvendo uma declamadora de versos e um papagaio; o moçambicano Mia Couto criou um conto romântico a partir de Olhos nos olhos; e o também argentino Rodrigo Fresán escolheu Outros sonhos para um conto-ensaio tecido sobre variações oníricas. Entre os brasileiros, Carola Saavedra esmiúça em detalhes uma discussão de relacionamento em sua narrativa baseada em Mil perdões; André Sant'Anna preferiu Brejo da cruz para falar do presente e do futuro dos meninos de rua; Cadão Volpato parte de Carioca para tratar da história de amor entre um jovem intelectual e uma misteriosa garota que se hospeda em sua casa; João Gilberto Noll recriou Vitrines em registro de novela gótica, focando a relação obsessiva entre dois homens que se conhecem num shopping; Luis Fernando Verissimo cozinhou Feijoada completa em chave de comédia da vida privada; e, por fim, Xico Sá reescreveu Folhetim como um triângulo amoroso contado por um carioca desmemoriado que talvez tenha perdido a mulher numa Quarta-Feira de Cinzas. Uma surpresa a cada virada de página. Com as canções de Chico na cabeça, o leitor vai se admirar com as inúmeras possibilidades narrativas que elas inspiram e com o inesgotável gênio criativo desses principais nomes da literatura contemporânea.

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    Valéria Alves picture
    Valéria Alves18/07/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Levante a mão quem já escutou uma música e ficou tentando imaginar onde surgiu a inspiração para a letra: se foi a partir de um sonho, de alguma conversa que se escutou na rua, de algum caso que um amigo contou, ou de uma confissão vinda de um confessionário ou quem sabe numa sessão de terapia? Esse livro é o caminho inverso. Nele há dez contos de dez autores diferentes inspirados por dez músicas do Chico Buarque. A ideia por si só já é linda. Os contos são ainda mais. Alguns mais poéticos, outros mais descritivos; todos muito distintos, revelando a variedade de estilos literários e como cada forma de se expressar por textos é única, sendo assim também únicas as formas de assimilação de cada pessoa. "_ É tão fácil ficar velho - respondeu ela- Nem sequer é preciso tempo nem idade. Basta não ter vontade de acordar. " Mia Couto Para mim uma descoberta incrível, pois se há algo que eu admiro mais que música e literatura é quando as duas se misturam. Destaque para o conto " A mulher dos meus sonhos e outros sonhos" do Rodrigo Fresán, que achei de uma sensibilidade ímpar. "E existem canções que - ao serem ouvidas pela primeira vez- funcionam como poses de fotografia: capturam para sempre um instante e o revelam e o fixam com os líquidos da epifania para que possamos voltar a esse momento definitivo toda vez que ouvimos essa canção. Diversas vezes." Rodrigo Fresán

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    Luis Fernando Verissimo

    Luis Fernando Verissimo (Porto Alegre, 26 de setembro de 1936) é um escritor brasileiro. Mais conhecido por suas crônicas e textos de humor, publicados diariamente em vários jornais brasileiros, Verissimo é também cartunista e tradutor, além de roteirista de televisão, autor de teatro e romancista bissexto. Já foi publicitário e copy desk de jornal. É ainda músico, tendo tocado saxofone em alguns conjuntos. Com mais de 60 títulos publicados, é um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos. É filho do também escritor Érico Veríssimo.

    196 Livros
    2.119 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Luis Fernando Verissimo