Até eu ver a resenha de alguma pessoa trans dizendo o contrário, minha opinião é essa. Eu amo essa série, que comecei a ler quando eu tinha 14 anos, e penso nessa história quase todo dia por algum motivo. Dito isso, sei que a autora é extremamente transfóbica e li o livro desconfiadíssima por conta do auê que teve quando anunciaram que teria um serial killer trans ou algo assim.
O livro tem aspectos problemáticos sim. Acho que em algum momento o Strike usa o termo “cross dress”, que eu acredito que é uma expressão um pouco datada, mas dito isso, o serial killer envolvido na história é um homem cis, ponto final.
Não acredito que seja spoiler dizer que parte do modus operandi dele era ÀS VEZES colocar uma peruca ou forçar trejeitos para parecer ser gay para atrair a simpatia e confiança de mulheres, mas ele permanece um homem cis.
De maneira totalmente desnecessária tem uma outra personagem que, durante a primeira investigação 40 anos atrás, aventou-se a possibilidade de que seria um homem se fingindo de mulher. Acredito que ambos estes personagens tiveram essas “características” incluídas na história em decorrência da transfobia da autora, mas é preciso que se diga que tudo que foi dito sobre o assassino em série que talvez tenha cometido o crime que o Strike investiga é um pouco de desonestidade intelectual. Inclusive, esse serial killer foi inspirado no Jerry Brudos, que quem leu a respeito ou assistiu Mindhunter vai saber que é outro homem cis que tinha um fetiche por sapatos e roupas íntimas femininas, e se vestia com roupas femininas às vezes, o que é claramente diferente de ter uma identidade de gênero feminina.
Não vou pregar aqui a separação do autor da obra nem recomendar o livro sendo a autora quem é, mas eu peguei esse e-book/audiobook gratuitamente na biblioteca (exatamente pra não dar dinheiro pra quem não merece) e, para quem tinha essa dúvida, estou dizendo que os rumores eram mentira. Quem quiser ler, leia.