Essa foi a minha primeira leitura de 2021 e estou muito feliz por tê-la escolhido, pois, desde uma ressaca literária em 2020, Terapia Inversa foi o primeiro livro que me fez não querer parar de ler por um só segundo. A autora soube desenvolver muito bem a história e os personagens, de uma maneira que faz você terminar um capítulo e já querer emendar no outro. Quando percebe, já está terminando o livro.
A escrita da Brenda Matos é agradável e fluida. A trama e os personagens são complexos. Por vezes, fiquei aflito ao tentar me colocar no lugar do Lukas, do Peter, do Max, da Lena e do Robert. Ora os amei, ora os odiei, e isso foi uma das coisas que mais gostei na obra: os personagens são retratados de maneira crua e verossímil no que se refere às suas qualidades e defeitos. Não há mocinho, não há vilão. Em momentos específicos, todos tomam atitudes que a gente ama ou odeia, e isso é muito bacana, porque essa inconstância no modo de agir e de sentir é do ser humano, incluindo profissionais da Psicologia, de quem costuma-se cobrar uma postura muito correta, sensata e um domínio fora do comum dos sentimentos, por conta da profissão, mas esquecemos que eles também são humanos e têm as suas próprias questões para lidar.
A única coisa que me incomodou um pouco foi o uso excessivo da palavra moreno, cuja etimologia possui uma origem racista e, a meu ver, mesmo que a intenção da autora não tenha relação direta com o racismo (pois o termo é utilizado, na maioria das vezes, para designar cor de cabelo), a origem dessa palavra tem cunho racista e o seu uso atualmente é bastante questionável. Fora isso, o texto é ótimo e eu recomendo muito a leitura.