Vidas secas -

    Graciliano Ramos

    Principis
    2024
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-10: 6550971292
    Português Brasileiro

    A crueldade da seca e a vida miserável fazem com que uma família de retirantes sertanejos seja obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas do sertão brasileiro nordestino. O estilo seco de Graciliano Ramos parece transmitira aridez do ambiente e seus efeitos sobre as pessoas que ali estão. Pertencente à segunda fase modernista, conhecida como regionalista, esta é qualificada como uma das mais bem-sucedidas criações da época.

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    Jônathas  Rafael Camacho picture
    Jônathas Rafael Camacho03/03/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Que livro...

    Graciliano me impressionou com este livro. Seu modo seco de descrever a vida árida desses nordestinos, abusando de "expressões sertanejas" para mim, é o que torna este livro realmente brasileiro. O livro nos conta a estória, fictícia não sei até que ponto, de uma família nuclear formada por personagens singulares que vive fugindo da seca do sertão e sonhando com uma vida melhor, uma vida grande. Fabiano é um pai rude, que passa a vida consertando cercas e domando animais; sinhá Vitória é a mãe dona de casa que cuida dos filhos, faz contas com sementes e sonha com uma cama de couro igual a do seu Tomás da boladeira; o menino mais novo admira o pai e as vezes tenta ser como ele; o menino mais velho admira a cachorra, que muitas vezes age como gente, diferentemente de seu pai; Baleia, a cachorra, é, para mim, o personagem mais emblemático da estória. O autor confere a ela características psicológicas e afetivas mais humanas que as dos outros personagens, basta ver que ela tem nome, os filhos não. A leitura desta obra não foi para mim apenas parte de um hobbie. Em algumas páginas me sentia como um sertanejo de "alpercatas" ao lado de Fabiano, lamentando pela vida seca e me perguntando juntamente com ele: Por que não haveríamos de ser gente? Como muitos já disseram antes, "não há como ler este livro sem sentir sede". Eu concordo. Me ví sedento muitas e muitas vezes durante estas páginas. Mas aí eu pergunto: Sedento de quê? De vida, com certeza.

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