A trama em si não é muito desenvolvida, os vilões aparecem apenas como gancho para discussões filosóficas e pouco é mostrado sobre eles. Não é a intenção de Moore, em nenhum momento, transformar Promethea em mais um quadrinho de ação.
Semelhante a jornada de Dante e Virgílio na Divina Comédia, Promethea viaja a um outro plano descrito como a versão plena da realidade onde o profano e o divino se mesclam e Moore usa e abusa de referências pops para que o misticismo cabalístico apresentado se torne mais acessível.
A aventura em si é linda visualmente e toda a glória vai para John Williams III e Mick Gray. Suas histórias são quase totalmente desenhadas em dupla página e oferecem ao leitor uma gama de estilos diferentes para a arte sequencial. Isso foi um tapa de luvas de pelica na vigência da arte estilística na qual o desenho é uma mescla de escolas artísticas e não apresenta características fortes.
Outra peculiaridade é a predominância de personagens femininos, uma adesão à teoria da contracultura e política dos quadrinhos. Contudo, certas questões como feminismo, igualdade e sexualidade não são discutidos, eles já fazem parte daquele ambiente e ponto final.
Apesar de todo o cuidado dos artistas, a obra não é fácil de ser assimilada. Os primeiros capítulos foram referenciados aos quadrinhos tradicionais como uma forma de situar o leitor, porém, o mesmo é rapidamente desestabilizado pela quantidade de informações oferecidas pelo mundo de Promethea uma espécie de Nova Iorque alternativa de 1999.
Mesmo os fãs mais ferrenhos de Moore têm dificuldade para decidir o valor da obra, pois a digressão de sua ideologia pessoal pode alienar aqueles que procuravam algo ao estilo de obras mais populares como V de Vingança e Watchmen.