Os clássicos manuais de lógica, como “Introdução à lógica”, de I. Copi ou “Lógica”, de J. Nolt e D. Rohatyn, são excelentes obras introdutórias, indispensáveis a um primeiro conhecimento dessa disciplina. Todavia, eles tendem a no-la apresentar como uma teoria formal, ou seja, como uma espécie de jogo intelectual. Eles não nos explicam, por exemplo, por que e como as funções proposicionais vem dar conta do problema da não separação entre os aspectos gramaticais e semânticos, oriundo da concepção tradicional do significado da forma sentencial predicativa singular (compreendido como composição na estrutura sujeito-predicado). Eles também não nos informam por que e em quais circunstâncias o valor de verdade de algumas frases complexas não depende exclusivamente do valor de verdade de suas frases componentes; ou em que importa, à teoria funcional de Frege, a diferença entre objetos concretos e abstratos ou entre sentido e referência. Além do mais, eles não nos ajudam a contextualizar a importância de Frege, Russel, Kripke, Quine, Strawson, Wittgenstein, Tarski, dentre outros, na problematização histórico-conceitual da lógica. O livro “Propedêutica Lógico-semântica”, de Ernst Tugendhat e Ursula Wolf supre essa carência, tendo um duplo mérito: sondar a relevância da lógica para a filosofia da linguagem, no sentido de mostrar conceitualmente como os cálculos formais lançam luz sobre a argumentação e traçar os passos históricos em que problemas e perguntas são gerados, sob a perspectiva da lógica, em seu prolífico intercâmbio com a filosofia da linguagem. Eu o recomendo vivamente aos interessados no assunto!