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    Homo sacer - O poder soberano e a vida nua. I

    Giorgio Agamben

    Editora UFMG
    2002
    206 páginas
    6h 52m
    ISBN-10: 8570413076
    Português Brasileiro
    4.1
    83 avaliações
    Leram163Lendo26Querem209Relendo1Abandonos1Resenhas2
    Favoritos8Desejados209Avaliaram83

    Em nossa época, o corpo biológico do cidadão veio a ocupar uma posição central nos cálculos e estratégias do poder estatal. A política tornou-se biopolítica, e o campo de concentração surge como o verdadeiro paradigma político da modernidade. Agamben, em sua investigação, traz à luz o vínculo oculto que desde sempre ligou a vida nua, a vida natural não politizada, ao poder soberano. E uma obscura figura do direito romano arcaico será a chave que permitirá uma releitura crítica de toda nossa tradição política - o homo sacer, um ser humano que podia ser morto por qualquer um impunemente, mas que não devia ser sacrificado segundo as normas prescritas pelo rito.

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    Tales Vieira picture
    Tales Vieira12/09/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Poder à morte, à exceção e a politização da vida

    Em um primeiro momento estranhei o conteúdo do livro, assim como estranho quase tudo do pós-estruturalismo, penso que esse tipo de abordagem retira a atenção dos aspectos macro que são importantes e aplicam em níveis microscópicos, na esteira do que fez Foucault. ''Homo Sacer'' possui um alto grau de abstração intelectual mas que ao ir se desenvolvendo tudo começa a fazer sentido. De início Agamben revê o conceito de soberania, tão estudado na Ciência Política, porém de um jeito diferente. Aqui, como se fosse Deus (não necessariamente o cristão) o poder soberano (Estado) tem o poder sobre a morte do seu cidadão e ao estado de exceção. Ora, não é o Estado que diz ser proibido matar mas que detêm o poder de intervir e de declarar o estado de exceção, aplicar a lei marcial? Somente ele possui tal poder soberano. Logo após, em uma revisitação histórica gigantesca vamos ao HOMO SACER, que é fascinante. Desde quando o homem passou a ter valor intrínseco a ele? Na obra vemos que não foi na Grécia, com seus rituais mortíferos onde o homem só possuía valor quando morria, quando ia para o plano espiritual, em uma sacralidade absurda do ''ser homem''. Na contemporaneidade vemos como funciona o homo sacer: o Estado primeiro elenca a dignidade da pessoa humana, que tem como sub-elemento o valor intrínseco da pessoa, ao mesmo tempo que A MESMA PESSOA pode ser morta quando é elencada como o Outro hegeliano, um traficante por exemplo, um delinquente, o INIMIGO. A pessoa sacralizada é a mesma que é matável. Por último Agamben fala sobre a politização da vida: VIVER E MORRER SÃO ATOS POLÍTICOS NOS MÍNIMOS DETALHES. O livro foi publicado no século XX mas é perfeitamente possível fazer uma releitura: os homens, gostando ou não de Política, a vivem. O traficante morto na favela não sabe mas faz parte de um jogo maior, a sua vida foi perdida ''em vão'', o seu rosto vai aparecer em um jornal, esse corpo vai queimar o combustível para o Presidente decretar Intervenção Federal, o Prefeito vai dizer que a Segurança Pública está um caos, a dona de casa vai se horrorizar, e por aí vai. Passando de um extremo ao outro, um casamento gay é também um ato político de luta pelo reconhecimento LGBT, etc, etc. Parte ótima que talvez eu não consiga discorrer sobre porque o próprio autor deixou isso um pouco no ar foi a Lei como pater familiae, já tratado no Direito Penal como ''a lei como pai'', como se tudo revolvesse à uma norma fundamental de Kelsen, ou ao Deus de Tomás de Aquino, ou a Filosofia Última de Aristóteles. Sim, tudo está conectado e sentir isso é lindo.

    1 curtida

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    4.1 / 83
    • 5 estrelas39%
    • 4 estrelas40%
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    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas1%
    Giorgio Agamben profile picture

    Giorgio Agamben

    Agamben foi educado na Universidade de Roma, onde em 1965 escreveu uma tese laurea inédita sobre o pensamento político de Simone Weil. Agamben participou dos seminários Le Thor de Martin Heidegger (sobre Heráclito e Hegel) em 1966 e 1968. Na década de 1970, trabalhou principalmente com linguística, filologia, poética e tópicos da cultura medieval. Nesse período, Agamben começou a elaborar suas preocupações primárias, embora seus rumos políticos ainda não estivessem explícitos. Em 1974-1975 foi fellow do Warburg Institute, University of London, por cortesia de Frances Yates, a quem conheceu por intermédio de Italo Calvino. Durante esta bolsa, Agamben começou a desenvolver seu segundo livro, Stanzas (1977). Agamben esteve próximo dos poetas Giorgio Caproni e José Bergamín, e da romancista italiana Elsa Morante, a quem dedicou os ensaios "A Celebração do Tesouro Escondido" (em O Fim do Poema) e "A Paródia" (em Profanações). . Foi amigo e colaborador de eminentes intelectuais como Pier Paolo Pasolini (em cujo O Evangelho Segundo São Mateus fez o papel de Filipe), Italo Calvino (com quem colaborou, por um curto período, como assessor do editora Einaudi e desenvolveu planos para uma revista), Ingeborg Bachmann, Pierre Klossowski, Guy Debord, Jean-Luc Nancy, Jacques Derrida, Antonio Negri, Jean-François Lyotard e muitos, muitos outros. O pensamento político de Agamben foi fundado em suas leituras da Política de Aristóteles, da Ética a Nicômaco e do tratado Sobre a Alma, bem como nas tradições exegéticas sobre esses textos na Antiguidade Tardia e na Idade Média. Em sua obra posterior, Agamben intervém nos debates teóricos que se seguiram à publicação do ensaio de Nancy La communauté désoeuvrée (1983) e da resposta de Maurice Blanchot, La communauté inavouable (1983). Esses textos analisavam a noção de comunidade em um momento em que a Comunidade Européia estava em debate. Agamben propôs seu próprio modelo de comunidade que não pressupunha categorias de identidade em The Coming Community (1990). Nessa época, Agamben também analisava a condição ontológica e a atitude “política” de Bartleby (do conto de Herman Melville) – um escrivão que “prefere não” escrever. Atualmente, Agamben leciona na Accademia di Architettura di Mendrisio (Università della Svizzera Italiana) e lecionou na Università IUAV di Venezia, no Collège International de Philosophie em Paris e na European Graduate School em Saas-Fee, Suíça; anteriormente lecionou na Universidade de Macerata e na Universidade de Verona, ambas na Itália. Ele também ocupou cargos de visita em várias universidades americanas, desde a University of California, Berkeley, até a Northwestern University, e na Heinrich Heine University, Düsseldorf. Agamben recebeu o Prix Européen de l'Essai Charles Veillon em 2006. Em 2013, ele recebeu o Prêmio Dr. Leopold Lucas da Universidade de Tübingen por seu trabalho intitulado Leviathans Rätsel (Leviathan's Riddle, traduzido para o inglês por Paul Silas Peterson)

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    Kingdom of Italy, Itália

    Giorgio Agamben