Lucy, uma ex-freira americana, volta da Nicarágua horrorizada com as atrocidades dos contras, mercenários pagos pelos Estados Unidos para tomar o poder no país. Um dia, ela reencontra o coronel Dagoberto Godoy, assassino de camponeses inocentes, que está nos Estados Unidos em busca de vingança e fundos para financiar a luta armada em seu país. Ele quer matar uma jovem, a quem seduziu, e a quem atribui a responsabilidade de lhe ter passado a lepra. Lucy pede a ajuda de Jack Delaney, um ex-presidiário bonitão, para salvar a vida da moça. Mas os cinco milhões arrecadados acabam gerando a cobiça de todos.
Bandidos -
Elmore Leonard
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Ver maisBandidos bons X bandidos maus: um plano mirabolante do mestre do diálogo
Meu primeiro contato com Elmore Leonard foi Chamariz, que tentei ler há muitos anos, mas acabei abandonando. Depois de ler uma inspiradora entrevista do autor no jornal O Globo, fiquei curioso para tentar novamente, e acabei tendo uma agradável surpresa com Um Homem Destemido (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2013/05/um-homem-destemido-elmore-leonard.html). Tempos depois tive outra boa experiência ao ler um conto de Leonard na antologia Noir Americano (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2019/05/noir-americano-peter-haining-org.html). E agora aconteceu o meu melhor encontro com esse autor, que é considerado um mestre do diálogo, e não sem motivo, como é bem demonstrado nesse Bandidos. A trama é para lá de mirabolante: Jack Delaney, ex-modelo fotográfico e ex-presidiário, atualmente trabalhando como assistente de papa-defuntos, acaba se envolvendo com a freira Lucy Nichols, que cuidava de um leprosário na Nicarágua sandinista. Esse é o mote para uma história policial do tipo plano para um golpe, do qual tivemos um bom exemplo contemporâneo na ótima série espanhola La Casa de Papel. O diferencial da história de Elmore Leonard é que os bandidos bons se juntam para roubar os bandidos maus, o que gera todo tipo de questionamentos éticos e filosóficos entre personagens para lá de bizarros. Claro que a graça de toda história do tipo plano para um golpe é que, assim como na vida real, muitas surpresas acabam atrapalhando o mais meticuloso planejamento... E o que faz de Elmore Leonard um mestre do diálogo? Realmente as falas de seus personagens são escritas com muita vivacidade, com ótimas tiradas e boas doses de personalidade. Mas penso que o recurso mais interessante utilizado por Leonard é omitir trechos da narrativa e deixá-los subentendidos nos diálogos. Não me lembro de ter visto esse truque sendo aplicado com tanta habilidade: pela reação de um dos personagens, expressada em suas falas, adivinhamos algo que está acontecendo na história, mas que não chega a ser explicitado no texto. O resultado faz a história ganhar vida e dinamismo. Lamento não ter tomado nota dos trechos em que esse recurso foi utilizado. Como é algo bem sutil, não adiantou folhear as páginas a esmo, procurando encontrar algum bom exemplo dessa prática. Bom, ao menos anotei algumas falas bem expressivas, como o trecho em que a irmã Lucy, contando a história de São Francisco de Assis, tenta explicar a Jack que não é tão fácil assim se tornar um santo: Se você tem consciência de que está buscando, Jack, não tem a menor chance. A trama é permeada por muitas críticas sociais, como por exemplo: Com a sua permissão, irmã, considere um povo criado para acreditar que está certo explodir as pernas de uma mulher por uma causa justa, mas que é um pecado mortal abri-las. Os escritórios vivem cheios de pessoas fazendo coisas que, se não fossem feitas, ninguém notaria a diferença. Espero ter em breve outra aula de diálogos com o mestre Elmore Leonard! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2023/07/bandidos-bons-x-bandidos-maus-um-plano.html
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