O autor de Moby Dick poderia ter escrito coisa melhor do que essa novelinha chinfrim. Um escriturário sem gosto, sem sal, sem vontade, mas que só prefere o não fazer, o não sentir, o não ser, o não existir, enfim, o não, resumindo a história. Dá nos nervos, deixa qualquer um nervoso, por sua inércia e seu negativismo em tudo.
Que personagem mais idiota, no sentido literal da palavra, que ignora. É a negação da natureza, a negação da vida.
E ainda tem gente que vê similaridades deste personagem com personagens kafkianos. Eu vi a chatice.
E o pior foi o proprietário do escritório que o contratou. Que entrevista meia-boca, que processo seletivo mais leviano! O Rh de qualquer organização se sentiria ultrajado a compactuar em contratar um insano. Houve crítico que enxergou no personagem bartleby um ser autômato. O que eu vi foi um funcionário que se fosse real seria alguém que sofre de alguma moléstia de ordem psíquica, provavelmente um caso de esquizofrenia. Não seria o perfil de funcionário adequado ou pretendido.
Ainda bem que o fim foi trágico. Morreu numa prisão. Triste fim para uma vida triste e sem sentido. Pelo menos no fim houve um sentido mais plausível como toda a narrativa até então. Ele estava fadado, no sentido de fado, de destino, a morrer, pois sua vida era uma morte constante, sem nenhum motor que o impulsionasse a viver. Um zombie, em uma palavra. Mas um zombie modorrento, inerte. Já foi tarde.
Enquanto obra de literatura é esquecivel.