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    A Ilustre Casa de Ramires -

    Eça de Queiroz

    Ateliê Editorial
    2000
    456 páginas
    15h 12m
    ISBN-10: 8585851945
    Português Brasileiro
    3.2
    905 avaliações
    Leram1662Lendo124Querem1422Relendo5Abandonos247Resenhas113
    Favoritos12Desejados1422Avaliaram905

    O Portugal que surge d A Ilustre Casa é ainda uma nação em crise, afinal o país não havia mudado. Com a galeria de personagens eciana ganha o primeiro, e talvez único, herói positivo: Gonçalo Mendes Ramires. A narrativa desenha a trajetória desse fidalgo decadente que busca resgatar a ancestralidade perdida, através da composição de uma novela medieval que revive tempos gloriosos de Portugal e dos Ramires. Tanto lá - na Idade Média - como cá - no presente da ação, Portugal e os Ramires se confundem, seja no trilho do passado, seja na mediocridade do presente. O futuro do país, proposto com ênfase ufanista, vem sublinhado pela regeneração do herói, restaurado em sua origem. Os conflitos e soluções vividos por Gonçalo correspondem pois aos dramas e anseios da nação portuguesa, o que faz da personagem e símbolo de um povo Gonçalo Ramires é uma das mais brilhantes figuras da literatura de língua portuguesa, pois logra ser a um só tempo indivíduo e coletividade, ser em si e ser-outro, diagrama e natureza, ironia e paixão.

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    Resenhas (113)Ver mais
    Clio picture
    Clio26/05/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Considerada por muitos como a obra prima de Eça de Queirós, A Ilustre Casa de Ramires é uma discussão entre a manutenção do status quo e a possibilidade de enriquecimento com a exploração ultramarina. O arquétipo do português em Gonçalo Ramires não se degladia em grandes questões existenciais, suas preocupações são mais mundanas: arrendar ou não um terreno, casar-se abaixo do seu nível com uma mulher digna, qual o preço da farinha. Nessas conjecturas vê-se uma pessoa de carne e osso que o autor força pouco a pouco a considerar uma nova empreitada. A partida para outras terras é celebrada por Queirós como uma nova chance para seu povo, e assim Ramires não expõe suas desditas... o final é reservado apenas para a celebração. Há bem menos do sardonismo pelo qual o autor é conhecido ainda que a crítica esteja presente. O que se nota no texto em ênfase é a esperança de uma vida melhor, ou seja, da retomada lusitana de sua posição como exploradores e aventureiros. Recomendo.

    91 curtidas

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    • 4 estrelas24%
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    José Maria de Eça de Queiroz profile picture

    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz