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    Metafísica de Aristóteles - Vol. I - Ensaio Introdutório

    Aristóteles, Giovanni Reale

    Edições Loyola
    2001
    341 páginas
    11h 22m
    ISBN-10: 851502361X
    Português Brasileiro
    4.6
    45 avaliações
    Leram94Lendo17Querem116Relendo1Abandonos4Resenhas2
    Favoritos5Desejados116Avaliaram45

    Hoje em dia não se duvida que os catorze livros que nos chegaram com o título Metafísica não constituem um todo organicamente predisposto e acabado. A Metafísica não é uma obra unitária, mas uma coleção de escritos. Estes não nasceram num mesmo bloco de tempo, mas são fruto de um plurianual esforço de pensamento, de novas meditações e repensamentos. Não obstante isso, uma coisa é certa: existe neles uma unidade especulativa de fundo. Publicar uma tradução da Metafísica de Aristóteles com um comentário constitui um empreendimento árduo e temerário, porque as tentativas já feitas em várias línguas, os comentários, as paráfrases, as exposições e os estudos críticos são tantos e tais, que não é mais possível dominá-los. Além disso, os problemas que surgem para quem se propõe a apresentar ao leitor dos nossos dias o maior texto de filosofia de Aristóteles são de tal envergadura, que pareceria, senão quase impossível, pelo menos muito difícil resolvê-los. O leitor que pretendesse ler a Metafísica como os livros acabados que hoje se publicam (ou como o próprio Aristóteles compunha as obras que publicava), tomaria a pior via, e muito dificilmente chegaria a compreender a sua mensagem precisa. Essa edição se inspira, em primeiro lugar, num moderno conceito de versão. Quem traduz deve ater-se o máximo possível, como ponto de referência, à língua na qual traduz e às suas leis, e assim adequar a esta as da língua da qual traduz. A língua grega é fortemente sintética, as línguas modernas são, via de regra, analíticas. Conseqüentemente, não é possível adotar o critério seguido pelos tradutores latinos, cuja língua ainda é sintética e ainda possui compostos e estruturas próximas da língua grega. Na língua latina se podia comodamente decalcar o original grego ad litteram. Particularmente, os latinos podiam permitir-se não resolver certas dificuldades de interpretação, repropondo, com hábil jogo de neutros e de compostos, a idêntica dificuldade que apresenta a original, sem resolvê-la. Contudo, o tradutor contemporâneo deve analisar e desenvolver o que o grego lhe propõe de maneira sintética e, freqüentemente, como no nosso caso, de modo fortemente abreviado. Para poder fazer isso, o tradutor moderno deve necessariamente interpretar, porque lhe são vetados quase todos os desvios dos quais se serviram os tradutores latinos. Portanto, uma moderna tradução de Aristóteles só ser uma tradução-interpretação. Alem disso, a área semântica dos vários termos gregos quase nunca corresponde, de maneira adequada e total, à área semântica dos termos das línguas modernas, de modo que a tradução de um termo por outro, se convém em determinados contextos, não convém em todos, ou gera muitas confusões. Mas há ainda outro fato que corta toda pretensão de pensar em traduzir nas línguas modernas os textos aristotélicos do mesmo modo como os traduziam os latinos: Aristóteles não escreveu os seus tratados de metafísica (quaisquer que tenham sido os tempos e os modos de composição) para publicá-los, mas para ter apontamentos e material para as suas lições e para os seus alunos, dentro do Perípato. Portanto, as dificuldades de que falávamos acima são acrescidas destas ulteriores: às vezes Aristóteles se contenta com uma única alusão ou com um breve aceno, enquanto, se tivesse escrito para leitores não-iniciados ou, pelo menos, para um público mais vasto, deveria acrescentar toda uma série de elucidações e desenvolvimentos. Isto sem falar de todo um conjunto de inconvenientes com os quais o tradutor se defronta e, por assim dizer, se enreda: existem mudanças bruscas de sujeito e de objeto, numerosos anacolutos, toda uma série de construções que seguem mais a lógica de um pensamento íntimo do que a construção exigida pela gramática e pela sintaxe da língua grega. Em suma: não há modo de o tradutor se eximir de ser um verdadeiro intérprete. Antes, poder-se-ia certamente dizer que, em certo sentido, um tradutor da Metafísica só poderá ser tal se tiver sabido ser intérprete e, mais ainda, na medida em que tiver sabido ser tal

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    Filino Carvalho Neto03/10/2023Resenhou um livro
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    Excelente ferramenta de estudos para auxiliar a leitura de um texto essencial da filosofia

    Nesse volume, Giovanni Reale promove não apenas uma simples introdução ao verdadeiro monumento que é a "Metafísica" de Aristóteles. Sem dúvidas, aqui encontramos um resumo de cada um dos livros que a compõem, bem como uma reflexão a respeito dos conceitos que nela são tratados. Mas o autor vai além: promove um profícuo e didático debate com outros estudiosos da obra do Estagirita - sobretudo Jaeger e sua interpretação histórico-filológica, demonstrando como a leitura do mestre alemão já não está em consonância com os atuais estudos sobre o preceptor de Alexandre. Reale insiste que a "Metafísica" deve ser mesmo lida tal como nos foi legada, naquela mesma ordem em que foi estabelecida, refutando a "evolução" que Jaeger insiste em atribuir ao pensamento aristotélico. Em diversas passagens nas quais alguns comentadores enxergaram contradições, Reale demonstra que o pensamento do Estagirita continua perfeitamente compreensível - e, para sustentar suas posições, apresenta diversas passagens que justificam a lógica interna e a própria inteligibilidade da "Metafísica". Em um segundo momento de sua exposição, Reale promove uma atenta comparação entre a "Metafísica" e a filosofia platônica, demonstrando como a obra do Estagirita é imbuída do próprio pensamento platônico. De acordo com Reale (ele próprio um estudioso de Platão), não se deve encarar a "Metafísica" como uma pura e simples refutação do que sustentava o mestre de Atenas, mas em vez disso enxerga um rico diálogo entre essas duas filosofias. E cabe, ainda, ressaltar que a filosofia platônica atacada por Aristóteles se refere não apenas ao que está expresso nos "Diálogos", mas também na doutrina não-escrita de Platão (cujos ensinamentos sobre o Uno e a Díade já são apontados em vários trechos dos "Diálogos", como exemplifica Reale em diversas passagens). É uma obra central para todo interessado nessa obra magistral da filosofia. Com um estilo claro e didático, a "Metafísica" é desnudada aos olhos do leitor - que, com isso, pode lê-la e admirá-la em toda a sua riqueza.

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    Aristóteles, Ἀριστοτέλης, Aristotle

    Aristóteles (em grego antigo: Ἀριστοτέλης, transl. Aristotélēs; Estagira, 384 a.C. — Atenas, 322 a.C.) foi um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande. Seus escritos abrangem diversos assuntos, como a física, a metafísica, as leis da poesia e do drama, a música, a lógica, a retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia. Juntamente com Platão e Sócrates (professor de Platão), Aristóteles é visto como um dos fundadores da filosofia ocidental. Em 343 a.C. torna-se tutor de Alexandre da Macedónia, na época com 13 anos de idade, que será o mais célebre conquistador do mundo antigo. Em 335 a.C. Alexandre assume o trono e Aristóteles volta para Atenas, onde funda o Liceu.

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    Aristóteles, Ἀριστοτέλης, Aristotle