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    A Revolta da Vacina - Mentes insanas em corpos rebeldes

    Nicolau Sevcenko

    Cosac Naify
    2010
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788575038680
    Português Brasileiro
    4.3
    246 avaliações
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    Um clássico desde sua primeira edição em 1984, em A Revolta da Vacina o renomado historiador Nicolau Sevcenko realizou um estudo pioneiro, reconstituindo os episódios que passaram para a história como a maior convulsão social da cidade do Rio de Janeiro, durante a campanha de vacinação contra a varíola (1904). O ponto de vista adotado pela análise é bastante claro: ver a modernidade pelo avesso. Assim, por trás da reforma urbana promovida então pelo prefeito Pereira Passos, é possível ver claramente o processo de especulação imobiliária e a profunda situação de exclusão social. A saúde pública caminha junto ao uso autoritário da ciência. E a nascente República, que em tese se opunha ao Império escravocrata, promove na verdade a “democratização da senzala”.

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    André Ferreira05/01/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Revolta da Vacina: política e violência na Primeira República

    Neste brilhante trabalho, o historiador Nicolau Sevcenko nos mostra o contexto da Revolta da Vacina, revolta popular ocorrida em 1904, no contexto da Primeira República (oligárquica) desvendando os motivos desta manifestação popular, que iam muito além da posição contrária a vacina de varíola. A Revolta da Vacina estava muito mais permeada pelas arbitrariedades cometidas pela política sanitária comandada pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz e a política de despejos (bota abaixo) promovida pelo o autoritário prefeito do Rio, Pereira Passos, que retirava à força as populações pobres do centro, especialmente dos cortiços e casarões, com a motivação de “reorganização” e “modernização” do centro do Rio de Janeiro. Adiciona-se a isso a insatisfação política ao presidente Rodrigues Alves, o alto desemprego e carestia, a ausência assistência básica do governo federal as populações pobres e os anseios das classes operárias, ainda alheias a participação política e eleitoral no contexto de arranjos das oligarquias e da dependência econômica agroexportadora de café e da crescente dívida internacional do Primeira República Brasileira. As condições de vida vinham se degradando inexoravelmente na cidade do Rio de Janeiro, nesse período de transição do século XIX para o século XX, e do Império para a República. O espaço urbano acanhado, todo entremeado de morros e áreas pantanosas, mal se prestava à acomodação de uma cidade de dimensões médias. A capital do país passaria nesse momento, entretanto, por um processo vertiginoso de metropolização, com a população crescendo de forma desorganizada, com uma classe política viciada no poder e ausente no debate sobre a melhoria de vida dos pobres. A questão social acabara de se edificar como algo preocupante para elites oligárquicas da “Política do café com leite”, embora os pobres estando alheios a participação institucional da política e das eleições. Sevcenko nos mostra que se criou, ao longo da História e através dos discursos oficiais, um discurso maniqueísta sobre um fato que não se restringe a vacinação. A política autoritária e o pano de fundo político influenciaram mais a revolta em si do que a motivação sanitária. É obvio que o discurso anti-vacina foi o mote, mas há mais insatisfação pela ausência de cuidado com os pobres e com suas reivindicações do que meramente uma contrariedade da vacinação. Sevcenko desvenda o modo e operação da política da Primeira República, violenta, antipopular, arraigada no tradicionalismo de uma elite agrária pouco afeita a atender ou ouvir as demandas populares da população mais pobre. Os primeiros anos da república no Brasil nos mostram como um discurso político é materializado para a manutenção da pobreza e da constante necessidade de privar os espaços públicos a uma elite. Infelizmente a história do brasil tem inúmeros exemplos. Quase como um lema: entre o público e o privado, instrumentos de poder e uma história de violência, lutas, exclusões e dependência econômica.

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    Nicolau Sevcenko

    Historiador e professor brasileiro, filho de imigrantes vindos da região da Ucrânia, formou-se em História USP, em 1975, e se dedicou ao estudo da cultura brasileira e do desenvolvimento de cidades. Lecionou até 2012, ano em que se aposentou.

    12 Livros
    34 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Nicolau Sevcenko