Se o que conhecemos como teoria literária se inicia com aquela parte de "A República" de Platão que cria sua república ideal como um lugar sem os falseadores poetas, por serem meros representadores da realidade (criadores de uma mera mimese); e mais tarde ganha uma forma mais clara com a "Poética" de Aristóteles que vê na poesia a capacidade de representar sentimentos universais, movida por uma verossimilhança com a realidade, muito do que esses caras entendiam como fazer poético saiu das narrativas de Homero. Aqui, sendo o baita pesquisador que é, Jacyntho Lins Brandão coloca como ponto central desse livro o porquê das discussões sobre teoria literária serem tão encaminhadas pelos termos mimese e verossimilhança, ou de discussões de verdadeiro X falso. O que, também, acaba centralizando o impacto da Ilíada e da Odisseia no desenvolvimento das teorias poéticas.
Apesar de se aprofundar nos textos homéricos e usar os termos em grego antigo, o livro não deixa de ser uma boa introdução ao estudo teórico de literatura mais aprofundado, por, como o subtítulo indica, realizar um tipo de "arqueologia" da ficção (como a conhecemos) e suas prováveis influências gregas.
Outra protagonista do texto é a musa: essa voz intermediária entre quem narra e a narrativa. Seria ela a própria ficção? Aquela que ensina o poeta a mentir/falsear? É mais ou menos por aí que a discussão do Brandão vai.