Passamos pelo século XX. Século em que há muito se especulava sobre os acontecimentos de seus dias: a sociedade, a ciência, a tecnologia, o meio-ambiente, etc. Acreditava-se que nada escaparia aos olhos do conhecimento humano, certamente não haveria mais espaço para a religião. Parece que nos enganamos. No entanto não podemos nos enganar fechando nossos olhos para o desenvolvimento das ciências humanas, nem desprezá-las na sua aplicação ao estudo sério das páginas do Novo Testamento. Este é o objetivo deste livro, apresentar uma proposta diferente de leitura dos eventos narrados nos Evangelhos, e efetivamente trazer o significado essencial destes eventos. Bultmann, teólogo que permanece sendo relevante seus penamentos, considerado por alguns como o maior estudioso do NT do século XX, sendo portanto indispensável aos que estudam teologia, a leitura deste texto. Não há como negar a importância de Bultmann para a teologia. Marco da teologia do século 20, o pensamento cristão é muitas vezes divido em pré e pós Bultmanniano. A crítica bíblica de Bultmann deve ser encarada com a maior seriedade. Este é um de seus livros mais influentes. Aqui, entretanto, encontramos o pensamento do autor em estado formativo, o que pode ser uma vantagem na análise dos aspectos básicos da estruturação do seu raciocínio. Muito falam contra ou a favor de Bultmann sem fato conhecerem sua obra. É muito fácil lidar com caricaturas, mas todo estudo sério do pensamento de um autor deve ser calçado em uma análise das fontes primárias. É lendo o texto de Bultmann que entendemos o seu pensamento.
Jesus Cristo e Mitologia -
Rudolph Bultmann
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Ver maisRudolf Bultmann, 1884-1976. Formado no clima da teologia liberal. Adere em 1922 ao movimento da teologia dialética (Barth, Gogarten) e a partir de 1941 com o tema da demitização vai elaborando uma teologia existencial, com elementos heideggerianos. Do período dialético (1925-1928): O problema de uma exegese teológica do novo testamento; O significado da teologia dialética para a ciência neotestamentária; Jesus. Pouco a pouco Bultmann elabora os princípios metodológicos que serão claramente enunciados no Manifesto da demitização de 1941. Manifesto da demitização - passa por 4 redações ao longo de 20 anos: Conferência: Novo Testamento e Mitologia 1941 Ensaio: A respeito da demitização 1952 Conferências: Jesus Cristo e a mitologia 1958 (a conferência aconteceu em 1951, mas o escrito só foi publicado em 1958) Ensaio: A respeito do problema da demitização 1961 O Manifesto é um texto programático, no qual confluem o Bultmann biblista, que se interroga sobre o que diz realmente o Novo Testamento, e o Bultmann teólogo, que se interroga sobre o que o Novo Testamento tem a dizer ao homem de hoje. Está convencido de que todo o discurso neotestamentário é mitológico e não pode ser proposto ao homem de hoje. Para que o anúncio do Novo Testamento conserve uma validade própria não há outra saída senão demitizá-lo. A Demitização tem 2 tarefas: crítica e esclarecimento. Ambas se entrelaçam numa tarefa hermenêutica. Demitizar significa precisamente dar uma interpretação antropológica ou antes existencial dos enunciados do Novo Testamento tornando evidente, para além de toda a representação figurativa mítica, a palavra escatológica, quer dizer, decisiva e definitiva, que Deus pronuncia em Cristo e captar assim a incomparável possibilidade de existência autêntica que eles contêm para o homem, inclusive para o homem de hoje. A crítica acusou Bultmann de demitizar o que não é permitido demitizar, isto é, os fatos da história, de comprometer a compreensão da mensagem neotestamentária por causa de uma pré-compreensão de cunho heideggeriano. Para Bultmann, a teologia fala de Deus, na medida em que Deus tem a ver com o homem. Mas, como falar do homem? Aqui entra a relação com a filosofia, e ele vai se utilizar da analítica existencial de Heidegger Homem é visto como existência, como historicidade, como abertura para o futuro. Bultmann estabelece um corte entre o Jesus histórico e o Cristo da Fé, que pode ser consequente com a lógica de sua interpretação existencial, mas não pode estar conforme o relato do Novo Testamento. Nesta pequena obra é possível identificar estes elementos acima citados. O autor afirma: A desmitologização é a aplicação radical da doutrina da justificação pela fé no âmbito do conhecimento e do pensamento. Como a doutrina da justificação, a desmitologização destrói todo o desejo de segurança. Não existe nenhuma diferença entre a segurança que descansa nas boas obras e a segurança construída sobre o conhecimento objetivante. O homem que deseja crer em Deus deve saber que não dispõe absolutamente de nada sobre o qual possa construir sua fé e que, por assim dizer, se encontra suspenso no vazio. Quem abandona toda forma de segurança, encontrará a verdadeira seguridade. Diante de Deus o homem tem sempre as mãos vazias. Só quem abandona, quem perde toda a segurança encontrará a seguridade. Bultmann foi muito criticado, mas marcou definitivamente uma nova maneira de pensar a teologia. Por isso é tão importante até hoje, e vale a pena tomar conhecimento de seus escritos e pensamento.
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