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    Max e os felinos -

    Moacyr Scliar

    L&PM Pocket
    2001
    118 páginas
    3h 56m
    ISBN-10: 8525410489
    Português Brasileiro
    3.5
    1328 avaliações
    Leram2125Lendo62Querem884Relendo4Abandonos11Resenhas103
    Favoritos18Desejados884Avaliaram1328

    O alemão Max, um garoto sensível, cresceu sob a severidade de seu pai que sempre lhe incutiu medos e inseguranças. Envolve-se, mais tarde com Frida, esposa de um militar Nazista, o que faz que tenha que abandonar o país. Em meio a viagem de barco, é obrigado, graças a um naufrágio, a dividir o pequeno espaço de um barco com um imenso Jaguar, um felino que sempre lhe aterrorizou. O livro tornou-se conhecido após o autor, Moacyr Scliar, comentar em um jornal que o Best Seller A vida de Pi seria parcialmente um plágio de seu livro Max e os Felinos. Moacyr Scliar conquistou, pela qualidade de seu trabalho, um lugar de destaque na moderna literatura brasileira. Ficcionista de amplos recursos, autor consagrado, seus livros têm sido traduzidos para vários idiomas.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo12/06/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ferocidades

    Moacyr Scliar é um escritor de grandeza imensurável. Gaúcho, judeu e exímio ficcionista, ele é um clássico a ser redescoberto. Autor de romances deliciosos como “O centauro no jardim” e “A mulher que escreveu a Bíblia”, Scliar publicou em 1981 esta novela que causou um alvoroço de proporções estratosféricas apenas em 2001 quando o canadense Yann Martel lançou o seu “As aventuras de Pi”. Não. Eu não vou dissecar a polêmica rasa a respeito do livro e vou dedicar a esta discussão apenas este parágrafo. E digo o seguinte: os dois livros são completamente diferentes. Nunca li a obra de Yann Martel, mas vi algumas vezes a belíssima adaptação do sempre interessante Ang Lee (que, dizem as boas e as más línguas, é um filme muito fiel ao seu material de origem). Além disso, li, nesta edição da L&PM, os textos introdutórios do próprio Moacyr Scliar e da professora Zilá Bernd, que são extremamente elucidativos a respeito do burburinho existente entre os dois livros. Um é uma novela, o outro um romance. Um é uma metáfora, uma fábula sobre o nazismo. O outro é sobre as questões que envolvem a espiritualidade e as religiões. O que ambos têm em comum, então? A relativização do conceito de verdade, a migração para a América e, é claro, o motivo de toda a polêmica: as cenas absurdamente idênticas de um imigrante - um alemão no caso de Scliar, um indiano no caso de Martel - que vai lutar pela sobrevivência em um bote (ou escaler, no caso do gaúcho) na companhia de um felino (um jaguar, na história do brasileiro, um tigre-de-bengala, na narrativa do canadense) após um naufrágio. E é isso. Esses são os únicos elos entre as duas histórias. E no fim de tudo, isso é o que basta saber. Misto de real maravilhoso com ficção histórica, “Max e os felinos” é um alerta sobre as ferocidades que nos cercam, sejam elas animais, metafísicas ou políticas. Scliar aborda com extrema concisão e lucidez invejável a questão nazista nesta novela e prende a nossa atenção dando aos leitores apenas informações essenciais para acompanhar a história. Como todo escritor memorável, Scliar sabe escolher as palavras certas para o que deseja contar, algo que ele - e muitos outros - reforçou inúmeras vezes enquanto estava vivo. Afinal de contas, a famosa lei de Lavoisier se encaixa tão bem na literatura quanto na química: “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

    107 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 1328
    • 5 estrelas16%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas37%
    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas3%
    Moacyr Jaime Scliar profile picture

    Moacyr Jaime Scliar

    Scliar publicou mais de setenta livros, entre crônicas, contos, ensaios, romances e literatura infanto-juvenil. Seu estilo leve e irônico lhe garantiu um público bastante amplo de leitores, e em 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, tendo recebido antes uma grande quantidade de prêmios literários como o Jabuti (1988, 1993 e 2009), o Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) (1989) e o Casa de las Americas (1989). Suas obras frequentemente abordam a imigração judaica no Brasil, mas também tratam de temas como o socialismo, a medicina (área de sua formação), a vida de classe média e vários outros assuntos. O autor já teve obras suas traduzidas para doze idiomas. Em 2002 ele se envolveu em uma polêmica com o escritor canadense Yann Martel, cujo famoso romance A Vida

    194 Livros
    471 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Moacyr Jaime Scliar