Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições0
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas1
    • Leitores49
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    A Política da Experiência e a Ave-do-Paraíso -

    R. D. Laing

    Vozes
    1974
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    9 avaliações
    Leram17Lendo0Querem31Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos1Desejados31Avaliaram9

    O que significa mesmo uma pessoa nornal? Já terá existido em algum lugar aquilo que se convencionou chamar de pessoa normal? O normal não seria, antes de tudo, uma espécie de camisa de força, tecida de conformismos, com que a Sociedade veste logo a criança, assim que ela nasce? Este livro trata das raízes da chamada "normalidade". Para defender sua tese, o autor faz apelo à ciência, às suas pesquisas pessoais, e também à retórica, à poesia e à polêmica, a fim de confirmar os seus pontos de vista.

    Resenhas (1)Ver mais
    Juliana Pedroso picture
    Juliana Pedroso30/07/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Vi a ave do paraíso, que se abriu diante de mim e jamais voltarei a ser o mesmo.

    Este é, talvez, o melhor livro que li em anos. Não importa o quanto eu tente resenhá-o, descrevê-lo, nada que eu faça dará conta da densidade filosófica, poética e psicanalítica dos textos magistrais de Laing. Em “A Política da Experiência e a Ave do Paraíso”, escutei atentamente ao chamado do autor para que eu voltasse a mim mesma, potencialmente desalienada, e revisitar meus próprios conceitos de loucura e sanidade. Fui - quase - obrigada a ver que o que eu outrora chamava de sanidade era, afinal, minha mais disfarçada loucura. Nesta profunda meditação sobre a condição humana, fui introduzida ao abismo que existe entre a experiência e o comportamento, entre o que se sente e o que se mostra, denunciando a alienação como eixo central de nossa existência e realidade social. Aquilo que vulgarmente chamamos de “normalidade” não se trata de saúde, mas sim, a mais insidiosa forma de adoecimento coletivo análogo a um estado de sono psíquico, reforçado por mecanismos de defesa que nos afastam de nós mesmos. Desse modo, somos abismos em interação com outros abismos. A intersubjetividade torna-se, então, um campo de projeções, fantasias e infindáveis suposições. O eu nunca vê o outro em sua inteireza, apenas a imagem que dele fabrica. A experiência do outro é inacessível para mim (como a minha é para o outro), e ainda assim molda o meu comportamento. Essa tensão funda um paradoxo onde, embora não possamos acessar a experiência alheia, experienciamos o outro como experienciando. O vínculo humano se instala nessa zona incerta, onde o invisível do outro encontra o invisível em nós. A fantasia, longe de ser uma distorção da realidade, é descrita pelo autor como uma modalidade legítima de experiência. É o modo primitivo pelo qual sentimos o mundo e que nos acompanhará por toda a experiência subsequente. Quando reprimimos, disfarçamos ou patologizamos (Laing é um crítico ferrenho da psiquiatria!), a fantasia não desaparece, apenas assume a modalidade inconsciente e, como tal, continua a operar silenciosamente nos gestos e nas palavras. A “realidade” que aceitamos como objetiva revela-se tão fantasiosa quanto qualquer delírio, uma vez que é comportada por convenções, normas e é atravessada por estruturas de poder. Sob esse viés, o homem dito “normal” é aquele que se ajusta à sociedade ao custo de sua própria inteireza. A alienação existe quando nós deixamos de agir a partir de nossa experiência e passamos a viver segundo papéis impostos, identificações falsas e desejos que são do outro. Laing brilhantemente escreveu: “O que chamamos de "normal" é um produto de repressão, negação, cisão, projeção, introjeção e outras formas de ação destrutiva sobre a experiência. Está radicalmente separado da estrutura do ser”. Por fim, o livro é marcado por uma visão radical da responsabilidade. Recuperar-se é recuperar a autoria sobre a própria história. A dissociação é uma forma de sobrevivência, mas também de empobrecimento. Enquanto permanecermos em estado de clivagem, invadidos por esse ou outros mecanismos impessoais, estaremos incapacitados de amar, criar e transformar-nos uns aos outros. “Vi a ave do paraíso, que se abriu diante de mim e jamais voltarei a ser o mesmo”. Eis o vislumbre de uma verdade que não se apreende, mas que, ainda assim, tem o poder de transformar. Uma graça que escapa, mas que muda para sempre quem a testemunha. Tal como eu me permiti ser transformada por esse livro.

    curtir

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 9
    • 5 estrelas56%
    • 4 estrelas22%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Ronald David Laing profile picture

    Ronald David Laing

    Ronald David Laing, renomado e controvertido psiquiatra, conferencista e autor de vários livros, rebelou-se contra a psiquiatria ortodoxa e buscou um novo método de tratamento da loucura. Seu primeiro livro, <i>The Divided Self</i> (O Eu dividido) foi completado em Tavistock em 1957 e publicado em 1960; o livro despertou as respostas contraditórias com que todos os seus livros foram depois recebidos nos meios científicos. De 1962 a 1965 Laing empreendeu inúmeras experiências com uma nova abordagem da doença mental: a do existencialismo. estes anos dirigiu a Langham Clinic, em Londres e começou também experimentos com drogas estimulantes do pensamento como meio de acelerar viagens transcendentais ao Eu interior. Ele e outros fundaram uma comunidade terapêutica em Kingsley Hall em Londres em 1965; a utópica clínica faliu cinco anos depois, mas centros semelhantes apareceram em vários pontos dentro e fora de Londres. No início da década de 70 estudou com mestres budistas e hindus em Ceilão, Índia e Japão, e fez conferências nos Estados Unidos. Faleceu em 23 de agosto de 1989 quando em férias em St. Tropez, França.

    7 Livros
    3 Seguidores

    Ronald David Laing