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    Van Gogh: O Suicidado Pela Sociedade -

    Antonin Artaud

    Achiamé
    2004
    62 páginas
    2h 4m
    ISBN-10: B06W9MWQM3
    Português Brasileiro
    3.9
    45 avaliações
    Leram69Lendo2Querem25Relendo0Abandonos0Resenhas5
    Favoritos3Desejados25Avaliaram45

    Este texto que Antonin Artaud (1896-1948) escreveu sobre aspectos da vida e obra de Van Gogh, na sequência da exposição das obras do pintor holandês no museu da Orangerie (em Paris), é mais do que uma crítica ou análise: Artaud adopta a luta de Van Gogh como sua, tentando escapar às suas próprias tormentas. É uma obra de grande sensibilidade, com uma escrita clara, bela e violenta, de uma lucidez sublime.

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    Marcos18/09/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A genialidade sem anteparo

    Neste ensaio de 1947, Van Gogh, o suicidado pela sociedade, Antonin Artaud faz uma reflexão visceral a respeito do suposto suicídio do pintor holandês Vincent Van Gogh. Escrito após visitar uma exposição sobre Van Gogh no Museu de Orangerie em Paris, Artaud faz uma crítica emocional e feroz à sociedade que, em vez de reconhecer a potência do gênio e sua arte, o tolera apenas para rejeitá-lo depois de expropriá-lo de si mesmo. A escrita de Artaud é marcada por uma linguagem provocativa, com imagens violentas e, por vezes, delirantes. O resultado é um texto desconcertante e com um ritmo caótico, refletindo o inconformismo e a frustração de Artaud com a sociedade da época. Assim como Van Gogh fez na pintura. Artaud descreve como Vincent, cuja desagregação psíquica aumentava ano após ano, canalizava seu turbilhão criativo nas suas telas com formas, cores e intensidade sem paralelo na pintura. Ele recorre a ecfrases vívidas e carregadas de impressões subjetivas para demonstrar a profundidade artística de Van Gogh. Mas o autor não relata apenas o que viu na exposição. Ele faz uma crítica cáustica à psiquiatria e aos médicos, em especial ao Dr. Paul Gachet. Para Artaud, a psiquiatria nasce do desejo das pessoas de preservar o mal como fonte de doença e extirpar a rebeldia do espírito do gênio. Ele afirma que o Dr. Gachet foi tanto o arauto do caos quanto o verdugo da genialidade de Van Gogh, tal como uma sociedade conformista que rejeita aquilo que não faz questão de compreender. A relação entre Van Gogh e Gachet é descrita com tensão. Artaud diz que o médico, que não era psiquiatra de formação, ao invés de recomendar repouso e isolamento, instigava Vincent a continuar pintando, atividade que o exauria ainda mais. Os métodos utilizados para ajudar Van Gogh certamente eram limitados, dado o estágio incipiente da ciência psiquiátrica no final do século XIX. Como a saúde mental de Van Gogh se encontrava desarticulada e sem tratamento adequado por anos, os transtornos psiquiátricos, as crises psicológicas e os comportamentos atípicos que acometeram o pintor só pioravam, tornando difícil categorizar sua lucidez. Assim como Van Gogh, outras personalidades mencionadas no ensaio, como Gérard de Nerval, Nietzsche e Baudelaire, enfrentaram profundos problemas de saúde mental. Embora a criatividade possa surgir em diversos contextos, não se pode ignorar que, em alguns casos, a experiência de transtornos mentais pode influenciar a expressão artística. Artaud vê a loucura como uma força de libertação e uma forma de recusar certas normas sociais. A leitura do ensaio é instigante, mesmo que pareça difícil de acompanhar e, em certos momentos, convulsiva e incoerente. Mas a aparente incoerência desse estudo é intencional e sua principal qualidade, uma vez que suscita uma reflexão inquietante sobre a loucura no tecido social, a arte explosiva e a vida de um artista que desafia classificações

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    Antoine Marie Joseph Artaud profile picture

    Antoine Marie Joseph Artaud

    "Para Artaud, o teatro é o lugar privilegiado de uma germinação de formas que refazem o ato criador, formas capazes de dirigir ou derivar forças. Em 1935 Artaud conclui o "Teatro e seu Duplo" (Le Théâtre et son Double), um dos livros mais influentes do teatro deste século. Na sua obra ele expõe o grito, a respiração e o corpo do homem como lugar primordial do ato teatral, denuncia o teatro digestivo e rejeita a supremacia da palavra. Esse era o Teatro da Crueldade de Artaud, onde não haveria nenhuma distância entre ator e platéia, todos seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo tempo. Em Rodez, além de suas cartas (lettres au docteur Ferdière) ele elabora uma prática vocal, apurada dia a dia, associada à manifestações mágicas. A voz bate, cava, espeta, treme, a palavra toma uma dimensão material, ela é gesto e ato. Artaud volta a Paris em 1946, onde dois anos depois é encontrado morto em seu quarto no hospício do bairro de Ivry-sur-Seine. Neste período, além de uma importante produção literária ele desenha, prepara conferências e realiza a emissão radiofônica "Para acabar com o juízo de Deus" (Pour en finir avec le jugement de dieu), onde sua vontade expressiva se alia a um formalismo cuidadoso. Se nos anos 30 o teatro para Artaud é “o lugar onde se refaz a vida”, depois de Rodez ele é essencialmente o lugar onde se refaz o corpo. O “corpo sem órgãos” é o nome deste corpo refeito e reorganizado que uma vez libertado de seus automatismos se abre para “dançar ao inverso”. “A questão que se coloca é de permitir que o teatro reencontre sua verdadeira linguagem, linguagem espacial, linguagem de gestos, de atitudes, de expressões e de mímica, linguagem de gritos e onomatopéias, linguagem sonora, onde todos os elementos objetivos se transformam em sinais, sejam visuais, sejam sonoros, mas que terão tanta importância intelectual e de significados sensíveis quanto a linguagem de palavras.” O seu trabalho ainda inclui, ensaios e roteiros de cinema, pintura e literatura, diversas peças de teatro, inclusive uma ópera, notas e manifestos polêmicos sobre teatro, ensaios sobre o ritual do cacto mexicano peyote entre os índios Tarahumara (Les Tarahumaras), aparições como ator em dois grandes filmes e outros menores. Artaud escreveu: "Não se trata de assassinar o público com preocupações cósmicas transcendentes. O fato de existirem chaves profundas do pensamento e da ação segundo as quais todo espetáculo é lido é coisa que não diz respeito ao espectador em geral, que não se interessa por isso. Mas de todo o modo é preciso que essas chaves estejam aí, e isso nos diz respeito" - em Teatro e seu duplo. Se considerava um poeta, mas não no sentido usual, pois ele acreditava que alguém se definia como poeta ou não na própria vida, não precisando escrever um poema sequer. Apesar de haver escrito poemas no início da carreira, conforme o autor poemas simbolistas, queimou-os todos, e não temos idéia de como seriam estes poemas. No entanto, textos posteriores como "Para acabar com o julgamento de Deus" (1948), metafóricos e repletos de experimentação linguística, podem muito bem se enquadrar na categoria de 'poesia' em prosa." in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonin_Artaud

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    Antoine Marie Joseph Artaud