Espelho Convexo -

    Celina Ferreira

    Movimento/MEC
    1973
    34 páginas
    1h 8m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Poemas. Coleção PoesiaSul

    Resenhas (1)Ver mais
    Eduardo picture
    Eduardo08/10/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Gostei desse primeiro contato com a poesia de Celina. Nesse livro curto, a poetisa lança mão do espelho para falar do 'duplo humano', o que ele é e o que transparece ser. eis um trecho do último poema do livro (e cujo título dá nome ao livro também): "Que reino lúcido liso e perfeito que se aprofunda na superfície do meu segredo! Vejo-me: o duplo de mim, liberto no mundo líquido, água, azulejo. Move-se o duplo, sou eu que o vejo? Elfo, no estanho azul do espelho" --- agora, alguns poemas de que gostei e quis guardar: --- NOTURNO Converso. Falo. E me perco no liso chão de um espelho. Falo? Sátiro é o mundo que espelha imagens de mim a esmo Flautas. Adormeço. ------ FLAUTA DOCE De leve a boca pousa na flauta. Doce o adejo que houve como beijo. A boca descobre segredos. A flauta cresce na tarde. A boca e a flauta. Sutil enleio longe da pauta. ----- A SUICIDA No fundo lago do espelho atirei-me cada dia. Mas sempre as águas traziam a imagem que não morria. Atirei-me contra o mundo e não fui despedaçada. Porém, a face que eu tenho fica, no mundo, gravada. ---- ESPELHO E FACE Procuro no espelho a face remota. Não aquela que é visível, A que o vidro não comporta. Retiro-a, sem medo, descubro-a, ignota. Não a face que percebo em mim mesma, superposta. Mas a imagem lúcida, clara e luminosa, que cada dia enterrara sob a face que está morta. ---- PS: gostei também do "2º exercício de solidão", na página 25, mas aí bateu a preguiça de digitar. fica pra próxima! :P

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