Ainda não estou bem certo sobre o que o autor pretendia abordar em A Praia de Brazzaville. Sem dúvidas, existe um paralelo entre os dois acontecimentos que justificam o fato de a protagonista residir em uma praia na costa africana, longe de seus familiares e de seu país de origem, a Inglaterra. Mas o objetivo seria apenas mostrar como o comportamento dos primatas reflete nos atos intempestivos e egoístas dos homens em sociedade? Ou a metáfora vai mais além referindo-se a importância do papel que a mulher (ou a fêmea) ocupa em seu mundo? A guerra da comunidade dos chimpanzés é uma alegoria à guerra civil no Congo? Os pensamento científicos, filosóficos ou até mesmo puramente matemáticos podem ser aplicados às situações de mudanças ou tragédias cotidianas, ensinando como absorvê-las e a seguir em frente? Mesmo sem conseguir estabelecer um foco (o que não pode ser considerado uma falha) reconheço a maestria com que William Boyd constrói essa difícil, mas instigante, narrativa que viaja de Londres à África, visitando o passado (distante e recente) até chegar ao presente, oscilando entre a 1º e a 3º pessoa, de um complexo desenvolvimento de seus personagens e uma densa atmosfera, sempre bem coerente com o estado de espírito desta marcante figura feminina criada aqui: Hope Clearwater.
Hope Clearwater é uma jovem cientista que vivendo em um lugar inóspito tem pela primeira vez a oportunidade de contemplar e refletir sobre as diferentes circunstâncias que ocasionaram sua situação atual: seu curto e problemático casamento com um singular matemático, suas inacreditáveis descobertas em seu campo de pesquisa científica em um centro de estudos de uma comunidade de chimpanzés selvagens e até seu inesperado envolvimento com a Guerra Civil na África.
A humanidade de Hope é o estímulo para acompanhar tão avidamente os eventos que marcaram sua trajetória, que como a nossa, varia de acordo com as escolhas que precisamos tomar e pessoas que encontramos pelo caminho. E é interessante que mesmo após tantas provações, Hope (ou esperança!) ainda acredita na natureza humana e na expectativa de um futuro que valha a pena ser vivido.