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    O Homem-Aranha em Marandi (Graphic Novel #4) - Graphic Novel N° 4

    Susan K. Putney, Berni Wrightson

    Abril
    1986
    66 páginas
    2h 12m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.4
    34 avaliações
    Leram61Lendo2Querem7Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos2Desejados7Avaliaram34

    Ao tentar impedir um assalto o Homem-Aranha é surpreendido por uma menina chamada Marandi, que conhece sua identidade secreta. Intrigado com o fato o herói descobre que a menina é uma feiticeira impedida de envelhecer por conta de um feitiço de seu pai. Para ajudar Marandi a combater Tordenkakerlakk (uma barata gigante) e impedir a "Profecia", o Homem-Aranha embarca em uma aventura repleta de surrealismo e fantasia. Publicada originalmente em Marvel Graphic Novel (1982) 22.

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    Cristian Voss18/01/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Homem-Aranha no País das Maravilhas

    Criado nos Anos 1960, a década da contracultura, pelos lendários Stan Lee e Steve Ditko, Homem-Aranha marcou o início da desconstrução e humanização dos super-heróis. Um movimento que iria explodir cerca de vinte anos mais tarde em obras seminais como “Watchmen”, “Dark Knight”, “Marshall Law” etc. Embora tenha sido originalmente publicada em 1986, o auge da Era de Bronze dos “comics”, quando as revolucionárias e polêmicas HQS citadas acima foram lançadas, “Marandi” não possui nada de revisional ou controverso em relação à mitologia do Cabeça de Teia. Todavia esteja longe de ser um gibi feijão com arroz deste medalhão da Casa das Ideias. Mais dado a aventuras urbanas em becos soturnos ou eletrizantemente suspenso por suas teias artificiais nos arranha-céus de Nova Iorque, Peter Parker se vê completamente aturdido ao mergulhar em um terreno insólito em suas peripécias cotidianas: o mundo da fantasia e da magia. Repentinamente o Amigão da Vizinhança troca batedores de carteira, ladrões de bancos e cientistas insanos por feiticeiros, maldições e aberrações lovecraftianas. A bagunça “bruxesca” inicia quando nosso herói é auxiliado por uma adolescente descolada no momento em que está envolvido em uma briga com um trio de meliantes pés de chinelo. A tal jovem se revela uma feiticeira chamada Marandi. Com mais de um século de existência ela é condenada a viver eternamente como uma “teenager” graças a uma maldição. Após transportar o Aranha para uma dimensão fantástica quase psicodélica que deixaria Neil Gaiman orgulhoso, a trama entra em modo turbo com Peter suando o uniforme aracnídeo para salvar a guria de uma monstruosidade bizarríssima e indestrutível digna das HQS de Spawn e Hellboy. A cereja do bolo é que, apesar de nos mostrarem apenas um vislumbre deste mundo fantástico, os autores nos deixam com a curiosidade aguçada para explorarmos mais desta deslumbrante geografia e seus personagens. Que outras maravilhas e horrores poderiam habitar ali? Quais outras revelações viriam à tona caso o complexo relacionamento entre Marandi e seu pai, um bruxo maligno barra-pesada, fosse mais investigado? Elogiar aqui o trabalho do grande Berni Wrightson (1948-2017) é chover no molhado para os entusiastas mais veteranos dos quadrinhos. Artista símbolo do terror na Nona Arte, Wrightson deixou sua marca inconfundível em clássicos das HQS do gênero: “Creepy”, “House of Secrets”, “Hellraiser” etc. Foi co-criador, ao lado de Len Wein, do revolucionário “Swamp Thing” e ilustrou a novela “Cycle of the Werewolf, a pequena pérola licantrópica de Stephen King. Especialista em monstros, Berni Wrightson era o desenhista ideal para dar vida às pirações visuais da roteirista de Marandi, Susan K. Putney. A despeito de todo o currículo do ilustrador desta “Graphic Novel”, seria uma grande injustiça não comentarmos o criativo e singular texto de sua escritora. Autora de ficção-científica, Putney engendrou uma trama simples, contudo eficaz, cujo maior destaque são suas imagens alucinantes. Porém, o que mais surpreende no roteiro é fazer com que as características do Homem-Aranha estejam sempre presentes mesmo em um cenário completamente atípico do usual em seus “comics”. Ora belos, ora aterradores, evocando quase que simultaneamente sensações de sonho e pesadelo, os visuais arrebatadores da obra não anula as particularidades deste ícone da cultura pop que há décadas vem encantando leitores do mundo inteiro. O cotidiano problemático de Peter Parker, o humor por vezes ingênuo deste, mas que quase sempre funciona, seu instinto de responsabilidade que é quase uma maldição. Continua tudo lá, mesmo enquanto o Aranha se debate entre as presas de criaturas dignas do horror cósmico. É justamente esta ambiguidade temática de “Marandi” sua maior qualidade. Agradar ao mesmo tempo aos fãs dos tradicionais gibis de super-heróis e os leitores de HQS mais sofisticadas e fora da curva.

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