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    O Declínio do Homem Público - as tiranias da intimidade

    Richard Sennett

    Companhia das Letras
    1988
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-10: 8585095822
    Português Brasileiro
    4.4
    45 avaliações
    Leram106Lendo33Querem397Relendo0Abandonos7Resenhas1
    Favoritos7Desejados397Avaliaram45

    Para entendermos por que 'O declínio do homem público' já se tornou uma espécie de clássico da sociologia contemporânea, basta olharmos à nossa volta. Basta ver que um país como o Brasil tem, por exemplo, muito mais poetas do que leitores de poesia. Do advogado ao médico, à dona de casa e até ao cineasta, passando, é claro, pela atriz, todos escrevem - e empurram-nos - seus poeminhas. Por que será que é mais fácil escrever poesia do que ler poesia, fazer arte do que ver arte - paradoxo que só pode implicar rebaixamento de qualidade? É que no mundo do 'eu me amo', do narcisismo desvairado, a privatização da existência assumiu proporções tais que o eu constantemente invade o já tão depauperado espaço do outro. Como demonstra o raciocínio de Richard Sennett, ser outro hoje em dia é duro, nesse bulevar de vitrines do ego.

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    Carla Flores26/01/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Sociedade teatralmente narcísica

    Sennett explora a erosão da vida pública e a ascensão do individualismo narcísico na sociedade moderna. Ele traça um panorama histórico que vai do século XVIII até meados do século XX, revelando as complexas relações entre indivíduo e sociedade, e as consequências da crescente primazia da vida privada sobre a vida pública. Ele argumenta que a privatização da personalidade e a busca por intimidade estão destruindo a capacidade das pessoas de interagir de forma significativa no espaço público. Richard cita alguns exemplos de isolamento social e inibição de sentimentos a partir de construções como o Lever House, o Dèfense e o Brunswick, onde o uso de paredes de vidro unem interior ao exterior mas as áreas de uso comum, como praças, bancos e sacadas, são convidativas apenas a passagem, não à permanência. A vida pública está sendo esvaziada de sentido, à medida que as interações com estranhos se tornam ameaçadoras e o isolamento se torna regra. Como essas alterações vão se mesclando, embora muitos achassem que encerraram uma e começaram outra sociedade. Aumentou a preocupação com questões relacionadas ao eu, transformando associações sociais em estritamente íntimas. Em suma, para uma crise social ser resolvida é preciso que a personalidade da pessoa se sobreponha à causa. Quando o individual deu lugar ao coletivo, quando a individualidade foi posta de lado, tornando o indivíduo não um grão de areia na praia, mas a praia propriamente dita. Sennett usa muito da analogia do teatro para explicar como somos atores da vida real. E como os atores por profissão são avaliados não só por suas performances, mas por quem são na vida real. A busca por intimidade e autenticidade está levando as pessoas a se concentrarem em sua própria personalidade, em detrimento da interação social. Alguns pontos negativos são que Sennett não questiona a civilização e o modo de vida urbano como fontes da erosão da vida pública, usando o Antigo Regime como modelo. Além de oferecer uma visão otimista da urbanidade, sem considerar a violência e o interesse comercial que sempre acompanharam a formação das cidades. É uma obra que destaca a importância da vida pública e da interação social. Sendo útil para estudantes de filosofia, urbanismo, política e sociologia.

    5 curtidas

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    4.4 / 45
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas18%
    • 3 estrelas11%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Richard Sennett profile picture

    Richard Sennett

    O sociólogo e historiador norte-americano Richard Sennett é um dos mais importantes intelectuais contemporâneos. Nascido em Chicago em 1943, é professor de história e sociologia na New York University e coordenador acadêmico da London School of Economics. Também é consultor da Unesco na área de planejamento urbano. Respeito: A formação do caráter em um mundo desigual, A autoridade, Carne e pedra, A cultura do novo capitalismo e O artífice são alguns de seus livros publicados no Brasil.

    10 Livros
    25 Seguidores

    Richard Sennett