Comecei a ler "O banqueiro dos pobres", de Muhammad Yunus e Alan Jolis no início de 2019, em um exemplar da biblioteca lá do trabalho. Nesse meio tempo tive que devolver, emprestei de novo, de novo devolvi, até que encontrei o livro na Estante Virtual.
Porque li: faz algum tempo venho pensando em ler mais sobre soluções do que sobre problemas e ler sobre ou de quem fez e faz a diferença parece ser um bom caminho. Exemplos? Malala, Mandela, Tutu, Dorina Nowill, Irmã Dulce e tantos outros. É sempre bom lembrar que eles começaram agindo localmente e a capacidade de engajamento e a determinação foi o que fez a diferença para chegarem onde chegaram. E foi assim que cheguei a Yunus, com o microcrédito e sua economia solidária que sempre me encantaram. Nada mais lógico do que ler o que tem a dizer um banqueiro dos pobres.
Ler sobre a trajetória de Yunus e sobre o quanto ele deu de si e as barreiras que enfrentou foi no mínimo enriquecedor. Poucas pessoas pensam em financiar e dar dignidade a pobres e excluídos, e a maioria pensa apenas na caridade, mas é possível fazer mais e ele fez. Ao longo do caminho encontrou MUITA má vontade e até mesmo sabotagem, mas isso não o deteve. Muita gente deve ter se sentido incomodada por alguém emprestar dinheiro a pobres e com juros ínfimos e muita gente (não pobre) deve ter ficado de olho naquilo e pensado numa forma de expropriar e se apropriar.
Infelizmente é um livro que o leitor comum passa ao largo, não desperta interesse. Entretanto tem tanto em comum com a realidade do país em que vivo e tanto a nos dizer e nos fazer refletir...
Grifos
"Mas você sabe muito bem que esse dinheiro simplesmente irá para o bolso dos amigos dos funcionários do governo."
"O desemprego é um dos flagelos das sociedades modernas."
"Obviamente a economia de mercado tal como está organizada agora não oferece solução para os males da sociedade."