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    Levo você até lá -

    Joyce Carol Oates

    Globo
    2004
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788525039149
    Português Brasileiro
    3.9
    55 avaliações
    Leram75Lendo7Querem133Relendo0Abandonos2Resenhas7
    Favoritos4Desejados133Avaliaram55

    Trigésimo oitavo romance de Joyce Carol Oates, Levo você até lá conta a história de uma garota americana, recém-saída da adolescência, que tem um passado conturbado. Ela cresce como uma criança invisível, repudiada pelo pai, pela avó e pelos três irmãos mais velhos, que a culpam pela morte da mãe pouco depois de seu nascimento. Criada em um ambiente rural, com uma família que ignora os livros, ela dá seu primeiro passo para longe de tudo o que conhece ao entrar na Universidade Syracuse, em Nova York, para estudar filosofia. Mas seu desempenho exemplar não é o bastante. Ela quer ser vista e querida pelos outros alunos. Por isso vai parar na irmandade Kappa Gamma Pi, onde jovens ricas, atraentes e populares são o ideal de irmãs de sangue que ela nunca teve. Mas a distância entre ela e essas pessoas só vai agravar seu senso de inadequação. Sem dinheiro, emocionalmente instável e atormentada pelas rejeições que acumula, Anellia, como às vezes é chamada, enreda-se em situações opressoras que a levam a um colapso nervoso. A isso, soma o início de um romance bruto, unilateral e humilhante com Vernor Matheius, um homem negro que seus colegas consideram uma afronta mas que, para ela, é mais uma tentativa de resistência em um mundo que não aceita nada do que ela é. E quem ela é, de verdade, é a pergunta que tentará responder na turbulenta passagem da adolescência para a vida adulta, atormentada, ainda, pela volta à cena de alguém que ela julgava há muito tempo enterrado. Lembranças, experiências, alucinações e insights filosóficos, inseparavelmente mesclados, dão à trama o aspecto de um sonho claustrofóbico, uma luta desesperada que só acaba quando Anellia finalmente consegue encontrar a própria identidade. Definido pela própria autora como "ficção autobiográfica", Levo você até lá é ainda um registro das mudanças culturais atravessadas pelos Estados Unidos nos anos 1960.

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    MALLLOR MALL picture
    MALLLOR MALL26/03/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    LEVO VOCÊ ATÉ LA, de Joyce Carol Oates

    Levo você até lá é uma daquelas obras que não apenas narram uma trajetória, mas dissecam a anatomia da invisibilidade (neste caso feminina) e o peso esmagador da busca por pertencimento. A tecitura da identidade humana não se encerra em eventos magnânimos, mas se consolida na sucessão ininterrupta de pequenas revoluções cotidianas, microrrupturas que, sob a égide do tempo, moldam a arquitetura do ser em um devir permanente. Esse processo de construção atinge seu ápice de vulnerabilidade, ao meu ver, na adolescência, fase em que a percepção da própria fragilidade se torna hiperestesiada, expondo a protagonista (que muito bem poderia ser qualquer indivíduo) a um desamparo ontológico diante da dissolução das (in)certezas infantis e adolescentes. Cabe a ratificação aqui da precisão de Oates em pontuar alguns desses delicados momentos da trajetória da protagonista, assentando-se dentre tantos sobre aqueles que são universais, daí por vezes me apercebi em reflexão, com a desconfiança de a autora estar narrando interins da minha própria caminhada. Então, nesse cenário de transição, a presença de elementos mediadores — sejam eles o suporte afetivo, o rigor intelectual ou o acolhimento institucional — revela-se imprescindível, atuando como o lastro necessário para que a metamorfose do sujeito não se converta em trauma e sim numa travessia dotada de sentido e resiliência. Novamente registra-se aqui o brilhantismo da autora. Portanto, em sua jornada, a protagonista personifica a fragilidade intelectualizada. É uma jovem que habita as margens de sua própria vida, tentando ancorar sua existência em instituições — universidade, irmandade, amor. O que mais me impressionou na narrativa foi a percepção de que a "viagem" sugerida no título não é geográfica, mas um mergulho em direção a um eu que se recusa a ser fixo. O estilo de Oates é, como de costume, visceral. Ela não poupa o leitor do desconforto de presenciar a humilhação social e a solidão profunda. No entanto, há uma maturidade silenciosa na forma como a autora trata o amadurecimento da protagonista. Gostei muito de como a obra explora com delicadeza o paradoxo de querer ser/estabelecer-se e, ao mesmo tempo, querer evaporar-se frente a inseguranças/julgamentos. Em minha visão, este livro é um exercício de empatia radical. É fácil rotular a protagonista como "instável", mas um olhar mais maduro revela que ela é apenas um reflexo das fissuras que todos carregamos. O ponto alto da obra é o momento em que a personagem compreende que ninguém pode "levá-la até lá" — o destino final da autoaceitação é uma estrada que se trilha em absoluta solitude (e quão cruel pode ser esse tempo e experiências). É uma leitura melancólica, por vezes sufocante, mas essencial para quem busca entender as complexidades da psique humana sob a pressão da construção de nossas identidades. Recomendo a leitura em família, instituições formais de ensino, redes de apoio à juventude, pois das ruelas e becos, a discussão conduzirá até grandes e centrais avenidas.

    35 curtidas

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    3.9 / 55
    • 5 estrelas31%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas4%
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    Joyce Carol Oates

    Joyce Carol Oates, também conhecida como "JCO" (nasceu dia 16 de junho de 1938), é uma escritora americana. É autora de algumas das obras de literatura mais significativas da atualidade. Agraciada com os prêmios norte-americanos National Book Award e o The Pen/Malamud Award for Excelllence in Shoort Fiction, é membro da Academia Americana de Artes e Letras e titular de cátedra na Universidade de Princeton, Nova Jersey, onde leciona desde 1978.

    149 Livros
    73 Seguidores
    New York, Estados Unidos

    Joyce Carol Oates