"Compreendi, ao mesmo tempo, que a música popular brasileira, por seu ritmo sedutor, pela emoção que carrega no bojo de letras e melodias lindas, coloca-se acima de modismos massificados em determinadas épocas. Está aí para ficar na vida deste país, integrada ao nosso espírito, memória e cultura. Vale a pena acreditar nessa permanência. Até porque assim nos sentiremos mais felizes" Alfredo Oliveira, 64 anos, é um geminiano nascido em Belém. Diplomou-se pela extinta Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, em dezembro de 1960, e até aposentar-se por tempo de serviço, exerceu a prática médica na condição de clínico geral, sempre no âmbito de hospitais e ambulatórios da Previdência Social. Paralelamente, dedicou-se à defesa da classe, como delegado do Sindicato dos Médicos do Pará. Empenhou-se ainda na fiscalização da ética médica ao ser eleito presidente do Conselho Regional de Medicina. "O Touro Passa?" (Grafisa, Belém, 1981), prefaciado por Benedito Nunes, representa o seu livro de estreia. A seguir foram publicados "Belém, Belém" (Falangola, Belém, 1983), Paranatinga (Falangola, Belém, 1984), "A Pedra Verde" (Falangola, Belém, 1986), "Ruy Guilherme Paranatinga Barata" (CEJUP, Belém, 1990), "A Partir da Ilha" (CEJUP, Belém, 1991). Só depois dos 40 anos de idade, em julho de 1979, revelou, publicamente, o seu lado musical, antes restrito a roda de amigos, vencendo um festival de MPB em Salinas. A partir daí, não parou de compor, principalmente para o carnaval paraense, onde surgiu como autor de samba-enredo de grandes escolas, sozinho ou em parceria com outros sambistas. Discos com gravações de músicas suas foram se sucedendo e, em 1996, a Secult lançou o CD "Projeto Uirapuru - O Canto da Amazônia - V.3 - Alfredo Oliveira", reunindo faixas que levam a sua assinatura, e de alguns parceiros, interpretadas por vários nomes de projeção nacional. Em 1998, juntou-se a Paulo André Barata e Paulo Chaves Fernandes na elaboração do musical "Trazendo Che no Coração", em homenagem ao legendário Che Guevara. O espetáculo foi produzido pela Secult no Teatro da Paz e registrado em CD gravado ao vivo. Seduzido pela música popular brasileira, atento à sua produção na terra, resolveu, espontaneamente, penetrar mais nesse universo, buscando conhecimentos, mesmo sem compromisso de sentido técnico ou profissional. Bibliotecas, livrarias, sebos, coleções de discos antigas, conversas com instrumentistas e compositores, cantores, etc. Tudo isso foi incluído num extenso roteiro à cata de informações. Em 1992, começou a escrever Ritmos e Cantares, decidido a compartilhar, com seus leitores, o resultado de tanta abordagem, sem deixar de lado as próprias recordações, que entraram no texto com ar de motivação para discutir temas marcantes. Em resumo, esse livro pode ser considerado fruto de genuíno interesse cultural pela MPB, particularmente aquela que nasceu no Pará.

