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    Os banheiros -

    Victor Giudice

    Codecri
    1979
    140 páginas
    4h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    5
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    Gastão de Holanda, Caderno B - Jornal do Brasil, outubro de 1979 Em Os banheiros, Victor Giudice mantém originalidade e exuberância de criação que, se não estão fora da nossa maturity of mind ou de nossa maturity of manners, não destoariam de uma comparação com que há de melhor na literatura estrangeira, representada por Borges, Cortázar ou em certo sentido com o conto eslavo, de língua indo-européia, de que se poderia citar um Karinthy. Mas creio que não se deve fazer da obra de um escritor uma colcha de retalhos de influências. A obra de Victor Giudice tem uma forte personalidade, gravita na órbita da obra aberta, em que tem máxima importância "a congenialidade do público com o autor". Tipo de relação produtor-obra de arte-consumidor. Cito estruturas literárias como a de O banquete, de Giudice, de apenas quatro linhas, onde o leitor (perplexo) reconstrói passado e futuro do personagem, com beneplácito de Umberto Eco... Não se poderia negar certo fascínio de Victor Giudice por Edgar Allan Poe ou Maupassant, quando se dedica ao conto de atmosfera gótica, como O visitante e Eles. Nesses contos, particularmente, o ilógico é tratado com linguagem de matemático, o que vem dar à narrativa maior força de expressão, embora a forma não se deixe dissolver na trama.(...) Por outras vezes o autor de Os banheiros é um aristocrata da forma, à maneira de um Visconti, no cinema. Para contar uma estória reconstitui um ambiente em que os mínimos pormenores - seja menção a porcelanas raras, seja a escritores ou compositores clássicos - são inventariados durante a montagem da fita datilográfica. O que não exclui uma boa dose de crítica social, à maneira do Miguel Covarrubra, conto que reconstitui toda uma heráldica brasileira armorial, arraigada à nossa história familiar saudosista.(...)

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    Victor Marino del Giudice profile picture

    Victor Marino del Giudice

    Victor Giudice (1934-1997) nasceu em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. Aos cinco anos de idade mudou-se para São Cristóvão, transformado, segundo a crítica, em seu "grande sertão ficcional" , onde viveu mais da metade de sua vida. Foi professor, bancário, jornalista, músico, ensaísta e crítico. A partir de 1968, intensificou suas atividades como escritor, tendo publicado seis livros: O necrológio (contos, Editora O Cruzeiro, 1972), Os banheiros (contos, Editora Codecri,1979), Bolero (romance, Editora Rocco, 1985), Salvador janta no Lamas (contos, Editora José Olympio, 1989), O museu Darbot e outros mistérios (contos, Editora Leviatã,1994) e O sétimo punhal (romance, Editora José Olympio, 1996). Salvador janta no Lamas ganhou o Prêmio "Ficção 89", da Associação Paulista de Críticos de Arte. O museu Darbot e outros mistérios foi agraciado com a maior distinção literária do país, o Prêmio Jabuti, e foi lançado no Salão do Livro de Paris em 1998 (Le Musée Darbot et autres mystères, Editions Eulina Carvalho). Para o teatro, escreveu Baile das sete máscaras, inédito, e o monólogo Ária de serviço, encenado pela atriz Bete Mendes, no Centro Cultural Banco do Brasil, em 1991. Compôs e executou ao vivo a trilha sonora da peça Prometeus, do Grupo Mergulho no Trágico. Suas atividades como professor incluem, além de oficinas de criação literária, cursos de Introdução à Ópera, Wagner e Música Sinfônica, ministrados no Centro Cultural Banco do Brasil e em outras instituições. Participou das Rodas de Leitura, no CCBB, e na Casa da Leitura e viajou pelo país como conferencista. Vários de seus contos foram publicados nos Estados Unidos, Argentina, México, Portugal, Alemanha, Hungria, Polônia, Bulgária, Tchecoslováquia. Uma de suas narrativas mais populares, O arquivo, foi o conto brasileiro mais publicado no exterior. Outro conto, Carta a Estocolmo, foi considerado, nos Estados Unidos, um dos quinze melhores trabalhos de ficção científica de 1983 e consta da antologia Antaeus (The Ecco Press, Nova York, 1983). Publicou ensaios e resenhas no Jornal do Brasil, O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Suplemento Literário do Minas Gerais, etc. Durante três anos assinou a coluna Intervalo, especializada em música erudita, no Jornal do Brasil, tendo sido esta sua última atividade. A editora José Olympio planeja a publicação de uma coleção que reunirá todos os seus contos. Do primeiro volume, programado para 1999, constarão O museu Darbot e outros mistérios e o romance inédito e inacabado Do catálogo de flores.

    7 Livros
    1 Seguidor
    Rio de Janeiro, Brasil

    Victor Marino del Giudice