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    Histórias sem Data -

    Machado de Assis

    Nacional
    2004
    142 páginas
    4h 44m
    ISBN-10: 8504007464
    Português Brasileiro
    4.1
    335 avaliações
    Leram570Lendo41Querem274Relendo4Abandonos15Resenhas21
    Favoritos7Desejados274Avaliaram335

    De forma engraçada e irônica, Machado de Asssis trata da contradição humana no primeiro conto de Histórias sem Data. A Igreja do Diabo simula um relato beneditino a respeito do dia em que o Demônio pediu autorização a Deus para fundar uma igreja na Terra. Sua religião idolatrava os efeitos humanos, e mesmo assim, ele teve uma grande decepção com seus fiéis. Histórias sem Data, publicado pela primeira vez em 1884, reúne 18 contos. Neles Machado de Assis desmascara a sociedade e mostra a hipocrisis humana, tema constante em suas obras. Um exemplo é a Galeria Póstuma, história de um rapaz que encontra o diário de seu tio, falecido recentemente, e descobre a surpreendente opinião do homem sobre as pessoas que o cercavam.

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    Resenhas (21)Ver mais
    Matheus Petris picture
    Matheus Petris07/06/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Machado de Assis passeando livremente pela construção do conto, dominando por completo um dos gêneros dos quais é um dos precursores. Contos concisos, diretos e profundamente preocupados em continuar a perpetuar o pacto com o leitor. Tratando ou não de temas ordinários, vão além, investigam desde a psicologia de suas personagens, como as mazelas de um país desigual, sua aristocracia fundada (também) na hipocrisia religiosa. Temas tão caros a Machado como a infelicidade conjugal e a morte, rondam e se mesclam em vários desses contos. Do macro alcançasse o micro e vice-versa. Se o livro se abre com “A Igreja do Diabo” e se fecha com “Academias de Sião”, é pela magnitude além-humana e pela sondagem do místico e do épico. Os problemas são concretos no mundo da fantasia ou no mundo ficcional verossímil. Há uma gama de personagens atormentados, que, ou se automutilam ou são mutilados pela sociedade. Seja na acomodação, na fuga ou na transformação, a assombração os perseguirá feito uma sombra, sempre na espreita. Uma sombra pronta para devorar qualquer resquício de esperança. Seja o Diabo, seja um Sacristão, seja uma Mulher, seja um Homem, seja o que quer que seja, são almas condenadas à miséria – humana ou não. E, como adverte Machado antes dos contos, se as datas não importam, isso se amplifica numa leitura atual e nos faz perceber como suas histórias continuam sendo atemporais. Reflexões de um passado que é presente ou de um futuro que chegou a ser o presente, ou mesmo aquele futuro que ainda não alcançamos… E queremos? Ou evitamos? Perguntas e mais perguntas. Contudo, tudo é ficção, como Machado sempre faz questão de avisar… Uma ficção tão bem construída, que por mais que sejamos alertados de sua artificialidade, cedemos perante seu arcabouço humano (ou mesmo divino). Ou seriam catacumbas? Eis outra pergunta.

    187 curtidas

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    Joaquim Maria Machado de Assis profile picture

    Joaquim Maria Machado de Assis

    Joaquim Maria Machado de Assis, jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor de O Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis. Filho do operário Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo, pouco mais se conhecendo de sua infância e início da adolescência.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Joaquim Maria Machado de Assis