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    Comer Animais -

    Jonathan Safran Foer

    Rocco
    2009
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788532526052
    Português Brasileiro
    4.5
    394 avaliações
    Leram567Lendo77Querem1092Relendo3Abandonos30Resenhas35
    Favoritos73Desejados1092Avaliaram394

    Em seu primeiro livro de não ficção, Comer animais, Jonathan Safran Foer, autor do premiado Tudo se ilumina, publicado pela Rocco, mergulha no mundo da chamada pecuária industrial nos Estados Unidos – a criação intensiva de aves, porcos e bois –, assim como na pesca em larga escala e suas implicações para o meio ambiente. Após três anos de pesquisas, o resultado é um panorama assustador. Para que, levando em conta a inflação, a proteína animal custe hoje mais barato do que em qualquer outro momento da história americana, animais são submetidos a maus-tratos e abatidos para o consumo deformados e doentes; há pouco ou nenhum escrutínio público e supervisão eficiente por parte das autoridades sanitárias; rios e cursos d’água subterrâneos são poluídos por excrementos e dejetos da produção, com os custos, no sentido mais amplo da palavra, repassados à sociedade; e os ecossistemas do planeta correm risco de colapso em um futuro não tão distante. Vegetariano esporádico, Safran Foer começou a pensar mais seriamente em suas opções alimentares quando seu filho mais velho nasceu. A preocupação com a origem da carne e a forma como é processada o levou a investigar a indústria alimentícia e, apoiado em estatísticas do governo americano e em fontes acadêmicas e industriais, ele teve a oportunidade de ouvir insiders do negócio, cientistas, membros de entidades defensoras dos direitos dos animais, chegando até mesmo a invadir uma granja e a testemunhar as terríveis condições do local. Esse apanhado de dados é de arrepiar o mais devoto carnívoro: a indústria de carne ocupa cerca de 1/3 das terras do planeta; o setor pecuarista é responsável, globalmente, por 18% das emissões de gás estufa; e um só método de pesca, o feito com espinhéis, mata 4,5 milhões de animais anualmente, incluindo 3,3 milhões de tubarões, 60 mil tartarugas marinhas e 20 mil golfinhos e baleias. Além disso, a criação animal usa, a cada ano, 756 milhões de toneladas de grãos e cereais para alimentar aves, porcos e gado bovino, bem mais do que o necessário para alimentar o 1,4 bilhão de seres humanos que vivem em extrema pobreza, cenário que tende a se agravar com o avanço do consumo dos variados tipos de carne em países emergentes como a China e a Índia. Sem esquecer a importância que o ato de comer representa nas mais diversas culturas, pois é à mesa, com suas memórias e histórias, que, desde sempre, se forja a fraternidade, Safran Foer propõe um debate ético sobre o consumo alimentar dos animais. Ele defende o vegetarianismo como uma opção mais sensata de pecuária e um onivorismo mais honrado, que traga benefícios para o meio ambiente. O escritor também advoga um retorno ao antigos métodos de criação, menos traumatizantes para os bichos e para os ecossistemas, a imagem da fazenda bucólica tão associada aos valores americanos e que, hoje, representa apenas 1% de toda a produção nos Estados Unidos. Em última análise, Safran Foer pede aos leitores que ponderem sobre a decisão moral de comer outro ser vivo e que, se necessário fazê-lo, lutem por mudanças que permitam aos animais serem tratados com compaixão e dignidade, de forma que mesmo o abate seja feito de maneira que provoque o mínimo de sofrimento possível a aves, porcos e bois.

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    INGRID MAYARA ALLEBRANDT picture
    INGRID MAYARA ALLEBRANDT28/02/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Quanto sofrimento você vai tolerar em sua comida?

    O início do livro já chamou a minha atenção por ser escrito em primeira pessoa. O autor começa contando recordações de sua avó e depois vai comentando sobre seus anseios de ser pai. Entre uma lembrança e outra, ele comenta acerca de momentos que se reuniu com familiares/amigos e faz reflexões do quão importante é a alimentação para as relações humanas. Aos poucos, ele nos leva a conhecer pessoas que trabalham com criação de animais (nesse caso, pequenos produtores). Algumas dessas pessoas, inclusive, denominam-se veganas. São empreendedores que se dizem preocupados com o bem-estar animal, e por isso suas práticas são uma alternativa a quem não pretende contribuir com a exploração da indústria da carne. Além disso, o autor apresenta relatos sobre a indústria da carne que poucas pessoas conhecem, sempre lembrando o quanto o ato de comer carne é cruel com os animais e prejudicial ao meio ambiente. O autor me levou a reflexões a partir de questionamentos como: - E se a própria pessoa criar e matar um animal para se alimentar dele, ao invés de já comprá-lo morto? - Por que temos diferentes hábitos de alimentação para cada tipo de comemoração? - Por que comer cachorro é inadmissível enquanto comer outros animais é aceitável? - E se países onde as pessoas não costumam comer carne vermelha tivessem o mesmo costume dos EUA? - Será que países com poucos recursos teriam comida o suficiente se todos parássemos de consumir produtos de origem animal? - Referir-se à carne como “cadáver” é, afinal, uma hipérbole? - Basta apenas abster-se da carne para diminuir os impactos ou além disso é urgente “espalhar a palavra”? Li cerca de um subtítulo por noite, mas não sei se recomendo fazer isso, talvez seja melhor lê-lo durante o dia. Tive um pouco de insônia e alguns sonhos incomuns. Embora eu tenha realmente me interessado pela leitura, tive de reler vários parágrafos para não perder o sentido do que o autor queria dizer. Não sei se era problema de incoerência na tradução ou se eu me distraia, mas sei que parecia que precisava de uma maior explanação do autor em algumas associações de termos como “escravidão versus exploração de animais”. Apesar desse livro ser focado mais nos EUA, dá para tirar bom proveito dos questionamentos éticos. Há relatos tão palpáveis quanto esses vídeos que circulam na internet denunciando o sofrimento de animais. Gostei muito da sinceridade do autor ao falar sobre sua vida num tom nostálgico e ao mesmo tempo desafiador. Acho até que se eu o conhecesse antes, seus relatos teriam mais sentido para mim, assim como eu me senti ao ler “Como os animais salvaram a minha vida”, da Luísa Mell. Enfim, é um excelente livro para ser discutido em grupos de leitura, principalmente (pois de uma forma ou de outra a gente vai sair falando dele pra todo mundo rsrsrs). E é ótimo pra quem gosta de livro-reportagem. Eis um vídeo rápido e didático caso você não goste de ver sangue e tem interesse pelo assunto: https://www.youtube.com/watch?v=NxvQPzrg2Wg

    81 curtidas

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    Avaliações

    4.5 / 394
    • 5 estrelas55%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas1%
    Jonathan Safran Foer profile picture

    Jonathan Safran Foer

    Jonathan Safran Foer é um dorminhoco assumido. Onde encosta, capota. Quando não está roncando, esse judeu de 30 anos escreve livros best-sellers. Autor de Tudo se Ilumina (que virou filme ano pasado com Elijah Wood no papel do autor) e Extremamente Alto & Incrivelmente Perto (que a editora Rocco lança neste mês), Foer é um dos escritores norte-americanos mais festejados da atualidade. Rolling Stone e Esquire já o elencaram na lista dos “homens do ano”. Esse partidão é casado com Nicole Krauss, 32, autora de outros best-sellers: Man Walks Into a Room e A História do Amor (lançado no Brasil pela Companhia das Letras). Como o marido, ela também é um dos nomes fortes da nova literatura norte-americana. O letrado casal mora no bairro nova-iorquino do Brooklyn com a filha Sasha, de cinco meses

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    Jonathan Safran Foer