Alguns livros te fazem sofrer, chorar, se descabelar... Outros partem a sua alma e o seu coração silenciosamente.
Eu li The Bronze Horseman pela primeira vez em Março deste ano. Na época eu não tive a força para escrever uma resenha. Vejam bem, o meu coração e a minha mente não conseguiam se conectar da forma correta para que eu pudesse transmitir eloquentemente o que pensei sobre o livro. Irritada eu me convenci a deixar para depois. Recentemente eu me deparei novamente com o livro e resolvi reler com o intuito de resenhá-lo aqui no blog. Eu pensei: Ok, Marina. Dessa vez você vai ler analiticamente para poder escrever uma resenha decente. Nem preciso dizer que o plano não deu certo. Eu me emocionei exageradamente mais uma vez, mas agora pelo menos tenho a coragem de sentar e falar sobre a história de Tatiana Matonova e Alexander Belov. Pense em um amor épico, recheado de dramas familiares, triângulos amorosos e ainda por cima com uma guerra como pano de fundo. Formou a imagem?
Normalmente nós conhecemos a segunda guerra mundial pela perspectiva de três países: Estados Unidos, Inglaterra e França. Os americanos foram os bravos guerreiros que foram em socorro da Inglaterra - que estava praticamente vencida - e a França...Bem, como diria meu avô a França abriu as pernas e deixou os Alemães entrarem. Confesso que eu sabia pouco sobre esse episódio específico da Rússia. A história de The Bronze Horseman começa em uma cidade da Rússia chamada Leningrad. Lá uma adolescente de dezesseis anos chamada Tatiana, ou Tiana, é acordada pela família no pequeno apartamento em que vivem para ouvir uma importante declaração de Stalin na rádio nacional. Depois de serem bombardeados sem aviso pelo exército alemão, a Rússia declara guerra contra Hitler. Para Tatiana é tudo muito excitante. Até então a sua vida era monótona, a filha mais nova de um casal pobre, ignorada pela maioria e subestimada pelo resto. Ela recebe a tarefa de sair para comprar providências para os meses de guerra à frente. Em seu entusiasmo a menina acaba esquecendo o que deveria comprar. Perdida, consolando a si mesma com um sorvete de baunilha, ela avista pela primeira vez Alexander. Alto, moreno e com olhos hipnotizantes que não param de fitá-la. Há algo no rapaz fardado que a atrai. Alexandre oferece seu auxilio e ajuda Tatiana a comprar tudo o que seria necessário para que sua família estivesse confortável. Nas horas em que passam juntos, a ligação entre ambos fica evidente. Ela tem apenas dezesseis anos e ele vinte e dois, mas isso não o impede de notar a beleza angelical que parece radiar da jovem. Mais tarde, quando ele a deixa em casa acaba descobrindo que Tatiana era a irmã mais nova de Dasha, a mulher com vinha tendo um relacionamento puramente físico. Mas Dasha acredita estar apaixonada por Alexander e Tatiana jamais trairia sua própria irmã.
O livro não tem uma narrativa fácil. Paullina Simons não economiza em contextualização histórica, climatização, emoções e flashbacks. Ela realmente introduz suas personagens com todas as bagagens que carregam. Passado, presente e futuro. Isso não só permite que o leitor conheça intimamente cada conflito e cada drama, mas seja capaz de compreender as motivações principais dos protagonistas. É uma leitura ímpar. Seu que jamais poderei comparar outro romance a The Bronze Horseman, porque na literatura moderna ainda não li uma história de amor tão real e tocante quanto a de Tatiana e Alexander.
A editora Novo Século comprou os direitos de publicação no Brasil. Espero, de coração, que façam um bom trabalho de tradução. Porque esse livro é uma obra de arte e merece ser tratado como tal.