No Brasil, A Morte do Caixeiro Viajante não fez tanto sucesso no teatro, apesar de retratar uma realidade do meio do século XX que nos era bem familiar: uma família comum que tenta sobreviver no capitalismo selvagem e realmente acredita que com trabalho duro ainda vai enriquecer.
Willy Loman, o personagem principal, é um homem idoso que já apresenta sinais de senilidade e o mais doloroso é sua não-percepção de que ele passou quase quarenta anos se enganando sobre a felicidade e o destino de seus filhos. Como um típico representante da época, ele é ingênuo, tirano, adúlteror e medíocre - ele é o pai/avô/tio que todo mundo conhece.
Sua família - a mãe submissa, o primogênito subpar, o caçula carete - todos vivem em função do sonho americano, e sua ausência parece massacrá-los, tornando os diálogos dolorosos de tão verossímeis.
Terminei a leitura pensando que talvez as pessoas do novo milênio tivessem dificuldade em empatizar com o texto, mas agora, sob reflexão, acho que poucos dramas são tão atuais.