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    Dona Rosita, a solteira - ou Linguagem das Flores

    Federico García Lorca

    Agir
    1959
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.9
    9 avaliações
    Leram17Lendo1Querem15Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos1Desejados15Avaliaram9

    A história de Rosita em forma de peça teatral.

    Resenhas (1)Ver mais
    Thiago picture
    Thiago05/03/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    O silêncio das letras

    Dona Rosita é um texto que se expande e se beatifica na medida em que insiste na sua simplicidade. Não há sátiras ou críticas sociais, o drama é pouco acentuado, o humor é algo inocente e os sentimentos não se desabrocham com a virulência de uma torrente intempestiva conforme a finada Stürm und Dräng. A linguagem é coloquial, nada postiça; os diálogos não são loquazes, antes abrindo espaço para a troca entre personagens. Personagens, estes, que são simples, honestos, com conflitos cotidianos, discussões corriqueiras e gostos modestos. Não são autores de grandes atos nem as vítimas de terríveis sofrimentos. E, no entanto, com toda essa forma amena, minimalista, com ares bucólicos, uma burguesia pincelada pelas cores calmas de Monet, a dor recôndita, sutil, apenas aludida, se alastra feito fogo em cada linha, cada palavra, cada gota de tinta desta pequena tragédia, petit tragédie. Rosita termina solitária, reservada, pouco afeita aos melodramas dos sentimentos. Sua tia não cessa de lamentar o abandono da sobrinha por parte de seu noivo vigarista. A ama segue no seu bom humor, mas sempre com as pontadas solenes de tristeza velada, a sua "ferida aberta", conforme a imagem invocada pela própria. E se se pensa que este terceiro ato não estava anunciado, que sua mudança é brusca, não se prestou atenção, pois o poema que atravessa os três atos revela prognosticamente - o famoso "foreshadow - a situação de Rosita. A flor de sua tragédia só desabrocha ao cair da noite - flor torcida e retorcida pela vida até perder em baça alvura sua rubra coloração. Monotemática, a obra de García Lorca se dá desde a primeira página em derredor do furo, do buraco, da falta enorme por consumir e eventualmente queimar o texto inteiro. Não surpreende que Drummond tenha se interessado em traduzir suas obras, ambos são a viva cara um do outro! Melancólicos poetas da falta, perdidos escritores a se lamentarem em seu não-ser. Que não se espere as afobações do vão entretenimento e sim as altas paragens do sofrimento celestial, divino, e por isso mesmo humano - demasiado humano.

    2 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 9
    • 5 estrelas56%
    • 4 estrelas22%
    • 3 estrelas11%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas11%
    Federico García Lorca profile picture

    Federico García Lorca

    García Lorca, músico, dramaturgo, pintor, compositor e poeta, fez parte da Geração de 27, de jovens escritores que queriam renovar a literatura espanhola. Homossexual, antifacista e antifranquista, desenvolveu sua poesia no âmbito da literatura moderna, mas resgatou formas e tradições da literatura regional espanhola, como a flamenca, o que pode ser visto nos versos de <i>Poema do 'cante jondo'</i> e de <i>Seis poemas galegos</i>. A associação com os elementos da natureza está presente em praticamente toda sua obra. Pelo caráter musical e telúrico de seus versos, bem como por uma doce melancolia, Lorca ombreia com Pablo Neruda pelo título de maior poeta da língua espanhola no século XX.

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    Granada, Espanha

    Federico García Lorca