Todos devemos construir nosso CsO
Se quiserem, podem meter-me numa camisa de força, mas não existe coisa mais inútil que um órgão. Quando tiverem conseguido um corpo sem órgãos, então o terão libertado dos seus automatismos e devolvido sua verdadeira liberdade. — Antonin Artaud, 1947[3] O que Artaud aqui exprime é: "Chega de funções, chega de hierarquias." Todo corpo é organizado para funcionar de acordo com as expectativas das instituições — moralidade, religião, capitalismo, colonialismo, imperialismo — e quando um corpo não se organiza assim, oferecendo risco por não se encaixar na cadeia de produção, ele cai no buraco da patologia psiquiátrica. Uma criança alegre é dada como neurodivergente porque toda sua potência, movimento e intensidade não foram recalcados e reinvestidos para o funcionamento das engrenagens dessa colossal máquina social. É por isso que o texto é, acima de tudo, o mais notável grito antipsiquiatrico e de certa forma antimanicomial — uma denúncia do aprisionamento do corpo intensivo pelas diversas organizações a que ele é submetido.

