Ainda não li nenhum dos livros do Sherlock Holmes escritos por Conan Doyle. Não posso fazer nenhuma comparação muito severa entre o Sherlock do Andrew Lane com o Sherlock criado pelo Doyle, mas com base no pouco que sei sobre Holmes e os poucos parágrafos soltos que li dos livros do Doyle, Lane sobe retratar muito bem Sherlock.
Recebi críticas de todos os lados quando perguntei as pessoas o que acharam dos livros. Muitas pessoas falando que não esperavam isto do Sherlock, que ele está muito sentimental nesta serie escrita pelo Lane e que na mente deles o Holmes seria um garoto que nunca se socializou e que nunca manteve grande afeto por muitas pessoas, assim como o personagem adulto. Eu discordo. Acho que a personalidade de um adulto se constrói com o tempo. As pessoas que criticaram deveriam pensar que o Sherlock não nasceu com um cachimbo na boca, e agindo de forma extremamente perspicaz. Isso é algo que se constrói. Então as próprias criticas me fizeram querer ler estes livros. Mostrando como surgiu a lenda Holmes e como ela se construiu com o tempo. Como o garoto começou a se interessar desde jovem a desvendar mistérios e como foi desenvolvendo essa habilidade.
Não encontrei motivos para reclamar do Sherlock criado por Andrew, acho que ele conseguiu descrever um excelente Sherlock Holmes adolescente. Mostrando o desenvolvimento do personagem e o modo como ele se torna um investigador, sem se esquecer de que se trata de um garoto na puberdade, com dúvidas sobre garotas e com vontade de fazer amigos. Neste livro, Sherlock aprende muito com o seu tutor, Amyus Crowe, que, segundo Sherlock, lhe ensina como pensar.
“- Você pode deduzir quanto quiser, mas dedução é inútil sem conhecimento. A informação é a base de todo pensamento racional. Busque-a. Procure-a com assiduidade. Não tente distinguir entre fatos importantes e triviais: todos são potencialmente importantes.”
Com esses ensinamentos, o jovem Sherlock Holmes está em boas mãos. Com seu novo tutor a filha dele e um amigo inesperado, Sherlock se envolve numa trama que promete outros bons livros.
“Até onde você sabia, isso podia ter sido alguma coisa que causava a praga. Alguma coisa contagiosa.
- Sim – Disse Sherlock, soltando a palavra de um jeito mais parecido com ‘Si-i-i-m’.
- Então, você arriscou sua vida com base no fato de que achava que todo o mundo estivesse errado, e que você poderia provar que estavam errados.
- Acho que sim. – Virginia estava certa: solucionar o mistério havia sido mais importante para ele que a própria segurança.”
Termino o primeiro livro já com muita vontade de começar o segundo. Andrew Lane está de parabéns pelo livro, e as capas de todos são fenomenais, daquelas que não se consegue tirar os olhos. O jovem Sherlock Holmes é uma incrível leitura.