A Secretária de Borges -

    Lúcia Bettencourt

    Record
    2006
    174 páginas
    5h 48m
    ISBN-10: 8501073512
    Português Brasileiro

    Nesta reunião de contos, A secretária de Borges , Lúcia Bettencourt homenageia escritores consagrados, como Jorge Luis Borges e Kafka. São textos que utilizam a própria literatura como matéria. No conto que dá nome ao livro, Borges, já cego, é ajudado por uma secretária que começa a interferir nas histórias. Já em O inseto , a autora inverte a angustiante situação criada por Franz Kafka em uma de suas novelas mais famosas; e, em Os últimos dias de Marcel Proust , narra as vésperas da morte do escritor francês, às voltas com os personagens a que sua memória deu vida. A secretária de Borges tem imaginação, estilo e consistência. Imaginação porque as tramas, quase sempre engenhosas - ainda que em diferentes níveis de complexidade -, se solucionam com desenvoltura. Estilo porque a linguagem, rápida e direta, é bem tecida, sem frouxidões e revela a busca pela palavra exata e pela expressão o mais funcional possível. E consistência porque os personagens (por sinal, quase sempre mulheres) se impõem com diálogos, pensamentos e sensações que se desenvolvem naturalmente. Um livro que encanta tanto pelas histórias atraentes quanto pela escrita apurada de Lúcia. Opinião do Leitor: Kátia / Data: 27/10/2007 Conceito do leitor: Leitura de bom gosto É um livro que apresenta uma riqueza de palavras. Leitura cativante. Um prato cheio para os apreciadores de contos. Saiu na Imprensa: Jornal do Brasil / Data: 4/11/2006 Histórias rondam universo de autores Homenagem a Jorge Luís Borges em contos premiados pelo Sesc Dúlio Gomes A secretária de Borges (Prê­mio Sesc de Literatura 2005) faz desabrochar um desempe­nho criativo apreciável. E um conhecimento do território li­terário pouco comum a estreantes. É claro que o fato de Lúcia ser formada em Literatu­ra pela UFRJ e dar aulas na Fa­culdade Notre-Dame, em Yale, confere a autora mais munição do que uma simples estreante poderia ostentar. De qualquer forma, suas histórias têm mais expressividade lúdica do que propriamente viés professoral. Num dos contos, o escritor argentino Jorge Luís Borges, já cego, dita seus textos para uma secretária pouco visível na história. Ele não percebe de imediato, mas essa secretária mo­difica, pouco a pouco, os textos ditados. E modifica para me­lhor, a ponto de causar nele, uma incomoda inveja literária. Borges é o narrador: "(...) ela melhorara minha obra, polira uma aresta, aperfeiçoara. Ca­lei-me, e continuei calando nas outras vezes. As correções se multiplicavam. E, a partir de certo momento, já não ocor­riam apenas nos trechos que não me satisfaziam. Eu termi­nava um dia de trabalho, satis­feito com os resultados obtidos e, no dia seguinte, percebia que o que me havia deixado satis­feito já não existia, substituído por um texto invariavelmente melhor que o meu, mais novo, mais resplandecente..." Também roçando o realis­mo mágico, O inseto mergulha no universo de Kafka. O autor não está presente, mas a bara­ta, sim, e todo um processo de metamorfose. O encontro ini­cial da autora com a barata, no elevador, é seco e remete, também, à A paixão segundo GH , de Clarice Lispector. Os três últimos dias de Mar­ceI Proust brinca com o seu me­morialismo intrincado do autor francês e descreve sua agonia, cercado pelos personagens de seus livros. Logo no início da história, o famoso bolinho ma­deleine vira um croissant. O cli­ma é sofisticado e convincente­mente proustiano. A cartomante vira os holofo­tes para o Brasil e homenageia Machado de Assis. Os demais contos se desprendem da inspiração puramente literária e incorporam o dia-a-dia comum. Um dos jurados do Prêmio Sesc de Literatura, Marco Polo Guimarães, justificou o seu vo­to que premiava os originais deste A secretária de Borges com a seguinte frase: "Este é um livro que tem imaginação, estilo e consistência."

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