Leve e densa, oscilando entre a diversão e a tensão - elementos dados pela própria linguagem do samba -, esta análise, que se fez em meio a notas musicais, rimas e refrãos, traduz o embate entre o tradicional e o moderno, entre a 'cidade civilizada' da Avenida Rio Branco e a 'Pequena África' encravada na ondulação dos morros, entre o sambista 'bem comportado' e bem trajado a 'redimir' o samba e o sambista 'marginal', de chinelos e camiseta, imagem da favela, da negritude e da malandragem, síntese de seu "desprestígio". Numerosas porque necessárias, as aspas são reveladoras de que nos bastidores do samba travava-se uma árdua luta, sem choro nem vela por reconhecimento social e valorização comercial da música que era entendida como símbolo da brasilidade. Esse processo, de construção ideológica do samba como ritmo nacional, acabaria deixando a praça, o terreiro e os malandros para trás. O samba perdia a humildade, penetrava no Municipal, transpunha as fronteiras nacionais, como lembra a inspirada parceria de Cartola e Carlos Cachaça.
Nem do morro, nem da cidade - As transformações do samba e a Indústria Cultural (1920 - 1945)
José Adriano Fenerick
Annablume
2005
282 páginas
9h 24m
ISBN-13: 9788574195209
Português Brasileiro
Estatísticas
Avaliações
5 / 1- 5 estrelas100%
- 4 estrelas0%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%