A coleção Os Pensadores trouxe a obra mais conhecida de Thomas Hobbes para representar sua contribuição: O Leviatã.
Nessa obra, ele expõe sua ideia sobre a formação e função do Governo, bem como a forma que a natureza humana as influencia. É uma extensa argumentação sobre a selvageria do Homem e a sobrevivência do mais apto - beirando o cartesianismo.
A ideia, então, é que apenas um monarca absoluto, o Leviatã, poderia controlar uma sociedade formada por tais seres e que o contrato social formado nesse meio perduraria como uma garantia contra a guerra e apenas enquanto o Governo servisse ao homem - o que é extensivamente discutido nas três primeiras partes do livro.
Algo a se manter em mente ao ler tal obra é que sua proposta se entrelaça pesadamente com a filosofia cristã. Assim, embora não seja de cunho religioso, Hobbes não se furta a citar, analisar e criticar tudo que possa ameaçar a centralização governamental: da Reforma Protestante à Guerra Civil Inglesa.
Uma das coisas mais interessantes a se notar é a sistematização do pensamento absolutista. Posteriormente, o autor seria duramente criticado durante o Iluminismo, e por ser tão fixado a sua época, a maioria dos estudos passam por cima de sua participação política para se fixar no pensamento metafísico (ainda que esse seja mais teológico que qualquer outra coisa).
Tendo sido escrito durante a época das grandes navegações, o texto exige um bom conhecimento de sua conjuntura histórica; a edição peca um pouco ao não fornecer notas que possam facilitar a leitura.
Contudo, como todas as edições da Nova Cultural relacionadas, a qualidade de produção é ótima e ainda oferece uma pequena biografia, bibliografia e cronologia.