a teoria econômica de Schumpeter diz que o desenvolvimento econômico é gerado a partir de uma inovação, que depois copiada passa a fazer com que tudo seja inovação, e como sobe-se com isso um degrau no desenvolvimento. Mais tarde aparecerá uma outra inovação, novas reproduções, e um novo ciclo. Etc. Na literatura, tem-se por inovação algumas reproduções, cópias do que um dia foi de fato inovação. os prêmios literários atuais mostram novidades iguais, que diferem às vezes num modo de fazer os diálogos – pode ser vírgula-maiúscula, por exemplo, como em Saramago. ou a omissão do travessão como em alguns vencedores do book-prize, não para um ganho narrativo, mas simplesmente por ser moda entre os cults. Coisas do tipo. a inovação eventualmente pode sim se utilizar dessas coisas, mas está ligada a algo além, que não trata da forma, mas do que se passa entre as linhas. Nesse sentido, embora aparentemente convencional, a narrativa de Wole Soyinka transpira inovação, sobretudo porque não tem em mente a inovação, mas o dizer, o saber dizer, o melhor dizer. Cenas antológicas como a de Simi e Egbo respaldam: aqui há inovação. Mas o mundo literário pouco, ao contrário do que acontece com a tecnologia, pouco ganhou – porque esse inovador é nigeriano? Sabe-se lá. Ele não foi copiado – mal aparece no Google, em comparação com os grandes do Primeiro Mundo. E o nascer desse mundo que oferece em Os intérpretes não chega com um estrondo mas com um suspiro.