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    Trabalho e Capital Monopolista (Biblioteca de Ciências Sociais) - A Degradação do Trabalho no Século XX

    Harry Braverman

    Zahar Editores
    1981
    382 páginas
    12h 44m
    ISBN-10: 8524500182
    Português Brasileiro
    3.9
    11 avaliações
    Leram47Lendo38Querem253Relendo1Abandonos3Resenhas1
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    A obra trata-se de um estudo dos processos de trabalho da sociedade capitalista, e do modo específico pelo qual eles são constituídos pelas relações de propriedades capitalistas. Este livro foi concebido como pouco mais que um estudo das alternâncias ocupacionais nos Estados Unidos. Seu interesse era a estrutura da classe trabalhadora e a maneira pela qual ela havia mudado.

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    Bruno dos Anjos Seixas picture
    Bruno dos Anjos Seixas12/08/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Por uma historicidade do trabalho

    Nos últimos tempos, até que surgiu bastante guias de leituras das obras de Marx, Engels e Lenin, mas ainda falta realizar esse esforço para as obras e autores que surgem na cauda do marxismo. Isso se fez especialmente sentir quando peguei emprestado, na biblioteca da UFPA, a obra seminal de Harry Braverman, marxista estadunidense que lançou este Trabalho e Capital Monopolista lá em 1974, há 50 anos. Lembro que peguei esse livro na época porque a sua proposta de analisar criticamente a própria essência do trabalho sob o capitalismo (e ainda no Estado de Bem-Estar Social!) me pareceu instigante e atual. Ao fim da leitura, minhas impressões iniciais se confirmaram, mas a jornada foi longa e penosa para apreender suas próprias teses (e ainda tenho dúvida se entendi direito). Primeiro, às introduções. Trabalho e Capital Monopolista foi um esforço de anos e anos do autor para entender uma pergunta que não era tão fácil assim de explicar na prática: por quê, no centro do capitalismo, em pleno auge econômico, as pessoas ainda desgostam e se ressentem com o trabalho? Até mesmo os empregados de colarinho branco, bem-pagos e sem os abusos patronais, salariais e ambientais que caracterizam o trabalho de fábrica, ainda se ressentiam dos chefes, dos esforços repetitivos, da falta de sentido, etc. Por isso, Braverman retomou o conceito de alienação, presente nos Manuscritos Econômico-Filosóficos e n'A Ideologia Alemã, e se utilizou de maneira crítica e brilhante das modernas teorias da administração como o capitalismo pratica, nas nossas vidas, o conceito de alienação. Para o autor, as bases do capitalismo industrial são a ultraespecialização do trabalho, a ausência da visão global da produção, metas irreais que só servem à acumulação de capital e a ultrarracionalização do tempo de trabalho para maior otimização da mais-valia. Nesse sentido, há uma polêmica e um esclarecimento com relação às teorias tayloristas - segundo Braverman, a inovação de Taylor não foi a especialização do trabalhador, algo já presente em outras relações de produção, mas sim o aprofundamento deste foco de trabalho e o desconhecimento do empregado com relação ao processo global, para que este não possa replicar o trabalho com seus companheiros e fique refém dos administradores. A burocracia é outra entidade desmistificada pelo livro. Contrariando as teorias gerenciais vigentes até hoje, Braverman argumenta que a burocracia (pelo menos como a conhecemos hoje) não é inevitável, que ela é uma classe criada pelos capitalistas para dividir a classe trabalhadora e que serve para racionalizar os lucros no trabalho operário. O exemplo supremo do autor, a epítome da administração contemporânea sob os valores de Taylor & cia ltda, é algo que me fascinou profundamente: os cartões perfurados. Pergunto: como se programava antes de existir motores gráficos e softwares? Diretamente na própria máquina, com o MS-DOS, alguns mais velhos. Mas e antes de existir MS-DOS, como funcionava? Oras, outras linguagens podiam ser usadas na BIOS do computador. Mas e quando não existia interface gráfica? Como se davam instruções ao PC? Dos anos 1940 até o fim dos anos 70, os comandos eram feitos com cartões perfurados Um cartão tinha fileiras cujos pontos podiam ser perfurados e, ao serem inseridos em um terminal, recebiam uma descarga elétrica, descarga a qual passava ou não passava, formando um código binário. Esta forma de programação, que o livro pegou em seu fim (e também no seu auge), era um pesado esquema realizado por centenas de programadores, nenhum dos quais, porém, tinha uma ideia total do código que programava - cada um apenas furava seu próprio cartão. Não bastando isso, o processo de perfurar, inserir e (se necessário) corrigir era medido em literais milésimos de segundo, sendo esse um processo que não poderia haver falhas, dada as (já) insanas quantidades de informação que necessitavam de ser processadas. Esse trabalho, que já detinha importância inegável na década de 70, foi genialmente interpretado por Harry Braverman como o trabalho capitalista em sua mais acabada forma: contínuo, enervante, desconectado entre si e sem um propósito real aos seus trabalhadores e nem à sociedade - apenas ao acúmulo de capital. Este resumo foi bem grosseiro face à densidade surreal do livro. O autor discute profunde os princípios administrativos à luz da teoria marxista, e os seus impactos palpáveis no mundo do trabalho, e muita coisa ficou de fora desta resenha - há um capítulo sobre o trabalho em fábrica no qual aparecem sintomas muito próximos ao que conhecemos hoje como burnout, mas não me marcou tanto quanto o exemplo cibernético que dei. O autor não chega a se utilizar de palavras difíceis, mas sem um entendimento básico da crítica da economia política marxista (principalmente os Manuscritos, Ideologia Alemã e Salário, Preço e Lucro), a leitura pode se tornar ainda mais truncada face á saraivada de dados que o autor nos fornece. Por tudo isso mencionei no começo que deveria haver uma listagem ou ranqueamento de autores marxistas segundo sua dificuldade (não digo afinidade porque senão dá polêmica). Certas obras, por mais relevantes e atuais que continuem sendo, só conseguem ser plenamente apreciadas quando já se tem um estofo teórico (e, por quê não, de vida) para se compreender a gravidade do que está sendo discutido. E Trabalho e Capital Monopolista. Cabe uma releitura. *Lido na edição da Guanabara Koogan publicada na década de 80. Houve edições posteriores, mas sem nenhum alteração significativa

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    Harry Braverman

    Harry Braverman (1920—Agosto de 1976) foi um escritor revolucionário estadunidense. Algumas vezes usou o pseudônimo de Harry Frankel. Braverman tornou-se militante do movimento trotskista estadunidense em 1937 e logo juntou-se ao recém-fundado Partido Socialista dos Trabalhadores (SWP, na sigla em inglês). Na década de 1950, Harry Braverman foi um dos líderes da assim chamada Cochranite tendency, uma corrente liderada por Bert Cochran no âmbito do Partido Socialista dos Trabalhadores. Os Cochranites rejeitaram a agitação revolucionária sob a dupla pressão da relativa prosperidade capitalista pós-Segunda Guerra Mundial e da "caça às bruxas" anticomunista movida pelo macartismo. Argumentavam que a presente expansão capitalista iria durar pelo menos por um longo período de tempo, o que inviabilizava a renovação da luta revolucionária por parte da classe trabalhadora. Eventualmente, os Cochranites, incluindo Braverman, foram expulsos do SWP. Formaram então a American Socialist Union, em cujo periódico Braverman era um contribuinte constante. No início dos anos 1960, Harry Braverman trabalhou como editor para a Grove Press, onde foi fundamental para a publicação da The Autobiography of Malcolm X. O livro mais importante de Braverman foi Labor and Monopoly Capital: The Degradation of Work in the Twentieth Century, o qual examina o efeito degradante do capitalismo sobre o trabalho na América. O livro foi publicado em 1974. Braverman morreu de câncer em Agosto de 1976.

    1 Livro
    1 Seguidor
    Nova York, Estados Unidos da América

    Harry Braverman