Pânico e Desamparo -

    Mário Eduardo Costa Pereira

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    2011
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-10: 8571371423
    Português Brasileiro

    O pânico constitui, em última instância, uma estratégia singular de eliminação do horizonte do possível, no qual tudo o que é da ordem do terrível pode, efetivamente, se realizar. Tal estratégia consiste em tornar presente, imediato, aquilo que já assusta apenas por seu caráter de indefinição e que pode se concretizar sob a forma do pior (ainda que não se possa representá-lo).

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    Carlos Lyra11/04/2020Resenhou um livro
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    O pânico numa abordagem psicanalítica

    Mario Eduardo Costa Pereira, em seu livro Pânico e Desamparo (1999), defende a utilização da metapsicologia - como um conjunto de construções teóricas abertas a uma constante revisão - na elaboração de teorias que possam explicar a etiologia dos quadros clínicos dentro do vasto campo da psicopatologia, o que levaria o debate acerca dos transtornos mentais (a exemplo do transtorno de pânico) ?para além das concepções empírico-pragmáticas da psiquiatria contemporânea, às quais, até agora, ele estava limitado? (Pereira, 1999, p. 29-30). Segundo Pereira (1999), o tema do pânico já estava presente, de forma fragmentada e não-sistematizada, na obra de diversos psicanalistas e psiquiatras antes mesmo da classificação diagnóstica atual. De acordo com o autor, o pânico se circunscreve no terreno do angustiante [das Ängstlichen]: "No pensamento de Freud, o angustiante constitui uma noção ampla que reúne fenômenos fundamentalmente heterogêneos ligados à angústia, tais como o sinal de angústia, o terror, o horror, o sentimento de inquietante estranheza e, o caso que aqui interessa, o pânico" (Pereira, 1999, p. 79). Portanto, para Pereira, é preciso retornar aos fundamentos da teoria psicanalítica da angústia para, só então, poder conceber uma abordagem psicanalítica do transtorno de pânico. Como já realizamos uma investigação sobre a angústia em Freud, partiremos para o estudo psicanalítico do pânico. Neste sentido, Pereira (1999, p. 38) introduz dois pressupostos acerca do pânico: "1. que aquilo que não pode ser simbolizado diz respeito a um gozo sexual ancorado no real do corpo; 2. que até o momento do desencadeamento das crises, a dimensão de desamparo da linguagem havia sido ?tamponada? naquele sujeito pela presença concreta de ?objetos-fiadores? que permitiam a manutenção inalterada de uma ilusão de estar totalmente protegido por um ser onipotente, imortal e benfazejo". O primeiro pressuposto nos remete às hipóteses freudianas iniciais sobre a neurose de angústia e a incapacidade de elaboração psíquica da tensão sexual de origem física, o que implicava num enfraquecimento da libido psíquica e dos processos simbólicos. Portanto, trata-se de um ?desamparo e de falta de garantias absolutas no que concerne a inscrição simbólica da sexualidade? (Pereira, 1999, p. 31). Já o segundo pressuposto apresenta uma situação na qual haveria uma ilusão de proteção por parte de ?objetos-fiadores?, que garantiriam, de certa forma, um certo amparo ao sujeito até o surgimento das primeiras crises. Assim, Pereira aposta na noção freudiana de desamparo [Hilflosigkeit] como hipótese de trabalho, o que lhe permite destacar o pânico do território do angustiante e situá-lo mais especificamente como um transtorno marcado por uma insuficiência simbólica da linguagem na tentativa de ?fornecer uma resposta última e inequívoca para questões essenciais como a da fragilidade da existência, a do registro do sexual no corpo e da possibilidade ? sempre presente ? de instauração do traumático? (Pereira, 1999, p. 15). Neste sentido, Pereira (1999, p. 72) nos apresenta duas questões: "constitui o pânico um fenômeno de pura-perda, uma fuga destinada e sem sentido ou, ao contrário, apesar de seu aspecto caótico haveria ainda assim uma dimensão significativa, quem sabe simbólica, a resgatar desses ataques? Qual o sentido dessa profunda proximidade do pânico com as situações de desamparo e de confrontação com a ausência dos guardiões todo-poderosos, fiadores da estabilidade do mundo?" O autor tentará responder a estas duas perguntas no decorrer de sua obra Pânico e Desamparo (1999). Lyra, C.E.S. Da angústia ao pânico: sonhos, sintomas e desamparo. Curitiba: Editora Appris, 2018.

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