Em seu texto, Brecht nos faz pensar em como as almas boas são raras, em como o mundo precisa delas e, principalmente, em como elas inevitavelmente sofrem por serem boas demais. Isto porque o mundo que as rodeia, na maioria das vezes, é mau, interesseiro, mesquinho ou simplório e invisível demais para ser notado. Apesar do pessimismo e da precariedade do caráter humano, Brecht nos mostra que as almas boas são de extrema importância e que, mesmo que o caminho seja difícil, o mundo, mesmo sem saber valorizá-las e reconhecê-las, precisa delas, assim como elas precisam do mundo. Brecht ainda nos mostra que é preciso encontrar um caminho nesta selva de famintos, nas quais fomos simplesmente despejados, que não devemos desistir e que ser bom (apesar de tudo nos levar a crer que essa é uma característica que não tende a compensar) é o que de melhor podemos fazer a nós mesmos e à nossa consciência. Afinal, assim como a arte não existe sem paixão, tampouco a vida respira sem uma simples fresta de bondade, por mais cansada e desiludida que esta esteja. É por essa fresta que entra luz, a verdadeira luz de um belo espetáculo, como é o teatro de Brecht! Como dizem as últimas palavras de A Alma Boa de Setsuan: “Deve haver uma saída. Tem de haver”!

