Do livro de Baudrillard sobre Foucault:
Prefiro acreditar que trata-se mais de uma estratégia de "marketing", que de "teoria" propriamente dita, levando em conta toda influência do ~pensamento foucaulteano~ pelos recônditos acadêmicos e além.
Parece-me que o sr. Braudillard tentou "vender seu peixe" fazendo um resumo crítico da obra de Foucault da maneira mais simplória possível, e, por vezes tentando uma "descida" genealógica que pouco diz, me parece, sobre toda a potência de "autrement" e de "superfície" que o careca ~sensual~ tentou operar em sua obra - inclusive usando a contradição e um insistente "re-pensar" como um salto teórico. Como uma tentativa de guerrilha, no limite tentou mapear práticas de poder como possibilidade de potência.
Para o sr. Jean, em seu incontornável mal-humor, sua demasiada insistência em escavar uma "economia da significação sufocante", ou seja, um paranóico exercício de interpretação textual, uma reiterada busca pela interioridade do texto, deixa de lado a potência de um fora, a multiplicidade dos afetos na conjuração do conhecimento, e por fim, como diz o próprio Foucault: é preciso esquecer o rosto quando se escreve.
Braudillard não só levou ao limite uma política significante do rosto e da palavra-linguareira, como se imiscui na obra de Foucault como um detetive em busca de "palavras" fora de lugar.
Monsieur Jean, não esquecemos Foucault. Outrossim esposamos Blanchot, Artaud e Deleuze - por um fora; por um possível; por uma palavra e um conhecimento nômade. Um pouco de possível monsieur, se não sufocamos em sua pulsão de morte.