Triângulo das águas
Triângulo das águas – Caio Fernando Abreu Nota 5 de 5 – 224 páginas (Tempo médio de leitura: 7h30m). “De todos os meus livros, Triângulo das águas é certamente o mais atípico. Eu simplesmente posso dizer que não o escrevi: fui escrito por ele”. “Gostaria que o livro fosse lido e sentido assim. Como murmúrio do rio, um suspiro do lago ou um gemido do mar”. Triângulo das águas foi premiado em 1984 na categoria contos, crônicas e novelas, com o prêmio Jabuti. Eu nunca me canso de ler Caio, que tem uma maturidade gigantesca na escrita e que consegue tocar até o coração mais frio, talvez por vivencia, já que Caio sempre se declarou um eterno amante apaixonado e colecionador de desilusões. Nas duas primeiras novelas deste livro é possível mergulhar em rios, mas a terceira e ultima me fez mergulhar em um mar gelado onde não dava pé, mais uma vez meus caros amigos, esse leitor que voz fala, caiu no golpe de pensar que seria uma rápida leitura, precisei de folego em varias partes, chorei em algumas. Em “Pela Noite”, Caio percorre um lugar muito triste: a solidão do homem gay na década de 80, onde o preconceito e o medo eram ainda maiores do que os de hoje. Dois homens na noite de São Paulo, buscam mais que compreensão, procuram se conhecer, mas por traz de toda vontade existe o medo, traumas e barreiras. Cada um se esconde na sua casca, frágil e manchada. Caio cita várias cantoras maravilhosas e autoras consagradas, fala sobre livros.. é um mergulho na cultura. Li esse livro por indicação do meu amigo literário Rapha @raphakhalil que nunca erra ahahhah “Porque eu também sinto medo, e haverá a morte um dia. A vida é apenas uma ponte entre dois nadas e tenho pressa”. “Esse trauma é pessoal, mas todo homossexual sul-americano tem no subconsciente um grupo de garotas monstras vaiando enfurecidas”. #caiofernandoabreu #triangulodasaguas




