História de conexão com a terra e desafios morais
Como uma das principais obras do neorrealismo português, fiquei tentada a ler o livro de Namora desde que soube que ele era o Jorge Amado de Portugal. O seu romance, "O Trigo e o Joio" narra a vida rural de uma família no Alentejo que busca, na plantação de trigo, um futuro melhor, lutando para manter o seu pedaço de terra e comprar uma burra para ajudar na colheita, ao mesmo tempo que enfrentam pressões sociais e culturais da comunidade ao seu redor. O livro tem uma linguagem um pouco cansativa, no começo confesso que foi difícil pegar o ritmo da leitura, mas entendo que, por ser escrito no português de Portugal e usar algumas expressões da região do Alentejo, contribuiu para o estranhamento e densidade da narrativa. Apesar disso, o que mais me chamou atenção em toda a narrativa foi a relação dos personagens com a terra. A terra é o principal guia da vida dessas pessoas que dependem dela, influenciando no seu humor, sustento, futuro e interações sociais, sendo a verdadeira protagonista ao longo da história. Além disso, foi interessante perceber a conexão do título com a obra em si, na qual Namora usou a parábola bíblica como uma metáfora poderosa para abordar as injustiças sociais, a luta dos oprimidos e a convivência do bem e do mal na sociedade rural portuguesa. O final me surpreendeu, especificamente a última cena do livro, o que deixa em aberto a diferentes interpretações para as motivações que levaram ao fato.

