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    Enquanto água -

    Altair Martins

    Record
    2011
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: 8501094102
    Português Brasileiro
    4
    43 avaliações
    Leram69Lendo11Querem53Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos6Desejados53Avaliaram43

    Com uma prosa carregada e densa, que flerta com a poesia, Altair Martins conquistou lugar de destaque no cenário literário nacional. E tomou de assalto a crítica especializada: vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2009 na categoria melhor romance de estreia por A parede no escuro, também conquistou duas vezes o Prêmio Guimarães Rosa da Radio France Internationale e, ainda, o Luiz Vilela, o Josué Guimarães e o Açorianos. Em Enquanto água, ele retorna ao conto em um livro intermeado pelo mar, suas idas e vindas. Ao todo, são dezoito textos em que a água é tanto o ponto de união quanto de dispersão. Divididos em quatro capítulos, cada grupo de histórias segue uma sensação: chuva na cara, depois da chuva, garoa, água com gás. Na liquidez dessas tramas, a água pode aparecer como um viés do real, como em Da margem futura, um conto carregado de tensão, sobre um pescador e sua família. Já em O núcleo das estrelas, o elemento ganha uma qualidade fantástica, com o prolixo protagonista chamado apenas de o narrador. Um homem cheio de erudição e saberes que, de certa forma, o afogam. No conto O mar, no living, ele prova que o fantástico é um viés do real ou vice-versa. Dramas familiares corriqueiros como a disputa entre sogro e genro e a celebração do primeiro aniversário de uma neta se resolvem pela atuação da natureza que cerca os personagens. Original e repleto de experimentações linguísticas, Enquanto água confirma Altair como um dos melhores contistas brasileiros. Fama que nasceu aos poucos em sua Porto Alegre natal, e ganhou folego e endosso da crítica especializada ao longo dos anos: busquei o ritmo de rios e chuvas, os transbordamentos e afogamentos, revela.

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    Denise Maria Souza João29/10/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Amei, amei, amei

    Quanto mais leio Altair Martins, mais embasbacada fico. Sua intimidade com as palavras, o estudo da literatura, as variadas técnicas de escrita, a comunhão entre a realidade e a fantasia, a crueza de alguns textos e principalmente o seu talento para mesclar tudo isto me impressionam e me deleitam. São 18 contos divididos em quatro partes: chuva na cara, depois da chuva, garoa e água com gás. "Chuva na cara" é uma tempestade de granizo, uma enxurrada, um tsunami nas ideias. Altair consegue nos deixar de cara no chão no último parágrafo, na última frase, no ponto final. Ele diz as piores coisas do jeito mais plácido do mundo. É minha parte preferida do livro. "Depois da garoa" tem um conto único repleto de referências à literatura, matemática, psicanálise, artes plásticas, filosofia, física, química... tudo junto e misturado numa loucura que eu transformei em uma viagem visual e dos sentidos, o que resultou numa experiência fantástica para mim. "Garoa" tem os contos mais curtos e menos diretos, uma mescla de história, ecologia e pesquisa e foi a parte que menos me interessou. "Água com gás" reúne contos em que a narrativa flui para um realismo fantástico, que ora só se faz perto do fim, ora no decorrer da trama, abordando temas como: relações familiares, medos, alucinações, ditadura, renovação. Apesar de ter adorado todos desta parte, ressalto "patologia de construção", que me fez rir muito. Altair Martins não nos economiza; ele nos coloca pra pensar. E eu a-do-ro isso! Enfim, amei... amei... amei.

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 43
    • 5 estrelas35%
    • 4 estrelas47%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Altair Martins profile picture

    Altair Martins

    É bacharel em Letras e mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS. Leciona em escolas de Porto Alegre e é responsável pela cadeira de Conto no Curso de formação de escritores das Unisinos, em São Leopoldo. Como escritor, estreou com a antologia de contos Como se moesse ferro (1999), seguida de Se choverem pássaros. A parede no escuro, seu primeiro romance, foi vencedor do segundo Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria primeiro romance, em 2009. Com seus livros anteriores, Altair Martins também foi vencedor do Prêmio Guimarães Rosa da Radio France Internationale, em 1999, do Prêmio Luiz Vilela e do Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães, em 2001 e do Prêmio Açorianos na categoria Contos. Foi também finalista do Prêmio Jabuti em na categoria crônicas em 2001 com o livro Como se moesse ferro. A parede no escuro foi o vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2009 na categoria melhor romance de estréia.

    8 Livros
    15 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Altair Martins