Um título mais próximo seria algo como "A mentalidade do radical", já que as regras aparecem em apenas um capítulo, e não são dissecadas uma a uma.
Talvez seja porque, como o próprio Alinsky diz, é importante não tratar as táticas como um manual rígido. Cada situação é diferente e o organizador ou "homem de ação" tem de reconhecer quando aplicar cada estratégia.
Fica claro que o livro é voltado para a pessoa de esquerda que quer construir organizações de massa, como um "Black Lives Matter". O autor até menciona que eles têm que aprender a falar com os trabalhadores mais pobres, para eles não irem para a direita.
A postura do radical (ou revolucionário) que Alinsky pretende formar envolve manipulação (ele mesmo assume), encenação e nenhuma preocupação com meios (o que importa é se funcionam).
Embora por vezes coloque um véu de bondade ("Quero que os que Têm Pouco tirem o poder dos que Têm Muito"), isso aparece tão pouco e as táticas são tão sujas que não tem como acreditar.
Ainda por cima, na dedicatória existe menção à Lúcifer, "o primeiro radical, que pelo menos conseguiu o próprio reino" e no decorrer do texto, Alinsky fala que o organizador é mais que um líder, porque o líder está atrás de poder, e a ação máxima do organizador é criar, ser um grande criador, brincar de Deus.
O leitor tem que ter em mente que o livro tem mais de 50 anos e o contexto é os Estados Unidos daquela época, mas considero importante conhecer as ideias (pra não ser enganado por elas) que inspiram personagens que ainda estão no cenário político, como Barack Obama e Hilary Clinton.
Inclusive, algo que o Alinsky reforça e que o Obama aplica muito bem é a comunicação, a oratória.