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    Tempo e narrativa - A intriga e narrativa histórica

    Paul Ricoeur (Em Português)

    WMF Martins Fontes
    2011
    408 páginas
    13h 36m
    ISBN-13: 9788578270537
    Português Brasileiro
    4.4
    34 avaliações
    Leram78Lendo19Querem183Relendo1Abandonos3Resenhas1
    Favoritos2Desejados183Avaliaram34

    A tese fundamental, fundadora do empreendimento, é forte: é a narrativa que torna acessível a experiência humana do tempo, o tempo só se torna humano através da narrativa. À força dessa tese correspondem as forças mobilizadas ao longo da obra para seu exame e sustentação: o porte dos autores trazidos ao debate, o rigor na apresentação e exame de suas contribuições, o trabalho de pensamento realizado com cada um deles e com a articulação entre eles, a sustentação da perspectiva do todo no horizonte de cada análise particular, a travessia de diferentes áreas do saber sem deixar de reconhecer o território de cada uma e sem perder de vista o norte orientador, sem sair da trilha, ou melhor, aceitando os desvios, mas para melhor compreender e aproveitar do território percorrido no esclarecimento da questão proposta. (Da Introdução à edição brasileira, por Hélio Salles Gentil).

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    Luiz Pereira Júnior picture
    Luiz Pereira Júnior31/07/2022Resenhou um livro
    0

    Os abismos do tempo

    Nos três volumes de “Tempo e narrativa”, o filósofo Paul Ricoeur discute os diferentes modos de ver e sentir (por assim dizer) o tempo, principalmente em relação ao tempo histórico e ao tempo literário. No entanto, é preciso dizer que se trata de uma obra dirigida fundamentalmente aos profissionais de História, de Filosofia e de Letras (e correlatos), não sendo, de maneira alguma, dirigida para o leitor comum. Antes que me apontem como esnobe, devo dizer que, a bem da verdade, não entendi vários trechos do livro. Talvez algum dia volte a eles, mas acho difícil. Por outro lado (também sem esnobismos) foi um enorme prazer ler comentários sobre a passagem do tempo em três das grandes obras que marcaram minha paixão pela Literatura: “Mrs. Dalloway”, “A montanha mágica” e “Em busca do tempo perdido”. Parecia que eu tinha um professor de renome mundial (e acho que tinha mesmo) me explicando como esses monstros das letras chamados Virginia Woolf, Thomas Mann e Marcel Proust construíram e redefiniram o sentido do tempo. Enfim, uma obra a ser lida com muita paciência e tempo disponível. Intrincada. Difícil. Hermética até. Agora, se é para você, não posso dizer. Afinal, quem sou eu para recomendar ou não recomendar esse oceano abissal em forma de leitura?

    3 curtidas

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    • 5 estrelas56%
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    Paul Ricœur profile picture

    Paul Ricœur

    Paul Ricœur foi um dos grandes filósofos e pensadores franceses. Ele desenvolveu contribuições para a fenomenologia e a hermenêutica, em constante diálogo com as ciências humanas e sociais. Ricoeur também interessou-se no existencialismo cristão e na teologia protestante. Seu trabalho está centrado nos conceitos de significado, subjetividade e na função heurística da ficção, especialmente da literatura e da história. Em 1936, licenciado em filosofia, criou a revista Être, inspirada nos preceitos de Karl Barth, teólogo cristão suíço. Em 1939, foi preso pelos nazistas e enviado ao campo de Groß Born; foi acadêmico na Universidade da Sorbonne. Passou também pelas universidades de Louvaina (Bélgica) e Yale (EUA), onde elaborou uma importante obra de filosofia política. Paul Ricœur participou de debates sobre linguística, psicanálise, o estruturalismo e a hermenêutica, com um interesse particular pelos textos sagrados do cristianismo. Em 1983, nos três volumes de Temps et récit (pt. "Tempo e narrativa"), o autor destaca as proximidades entre a temporalidade da historiografia e aquela do discurso literário. Pode ser encontrada aí a vontade de Ricoeur de ligar a reflexão filosófica sobre a natureza da narrativa com a perspectiva linguística e poética. Desde cedo, se interessou sobre a história desde uma perspectiva filosófica sem, no entanto, praticar uma filosofia da história. Em Histoire et vérité (1955; pt. "História e verdade"), ele tenta definir a natureza do conceito de verdade em história e diferenciar a objetividade em história distinguindo-a da objetividade nas ciências exatas. Anos mais tarde, ele se dedicará às questões culturais e históricas de uma perspectiva fenomenológica e hermenêutica. Ele fomenta então a discussão sobre a memória e a memória cultural em La mémoire, l'histoire, l'oubli (2000; pt. "A memória, a história, o esquecimento").

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    Auvérnia-Ródano-Alpes, França

    Paul Ricœur