História da Eternidade -

    Jorge Luis Borges

    Editora Globo
    1982
    110 páginas
    3h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Esta obra vem enriquecida de outros trabalhos, que revelarão ao leitor brasileiro diferentes facetas do gênio ensaístico de Borges, seja como estudioso da literatura islandesa antiga, seja como teórico da metáfora, seja como teórico da tradução. História da Eternidade, de Jorge Luís Borges, reúne alguns ensaios eruditos principalmente sobre a noção de Eternidade, seus defensores e detratores surgidos ao longo do curso histórico do pensamento metafisico e da arte literária, bem como sobre a problemática da circularidade do tempo e a possibilidade de tempos múltiplos igualmente verdadeiros, igualmente falsos. A obra constitui uma esplêndida introdução ao universo das inquietações metafisicais do escritor que os seus contos fantásticos, já publicados pela Editora Globo, encerram, com igual poder de depuração estilística. Se por um lado, esses relatos borgianos rompem deliberadamente as fronteiras entre o ficcional e o ensaístico, renovando desse modo a literatura de imaginação em língua espanhola, por outro lado os ensaios do autor não são destituídos de qualidades ficcionais,. Isso se torna possível em virtude da ousadia e da engenhosidade com que ele converte, de maneira pouco ortodoxa, a substancia das graves doutrinas dos filósofos em matéria de seus jogos mentais e de sua irônica argumentação acerca das tentativas do homem, produto do Tempo, pensar a Eternidade e penetrar, impotente, mas audacioso, no plano divino do Universo.

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    Jpg19/07/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ensaismo Fantásico

    Jorge Luis Borges mergulha na metafísica, um assunto que parece se desmanchar em mãos menos prudentes, e vai buscar as teorias da eternidade desde o começo da História, destrinchando uma por uma, inclusive a do Eterno Retorno de Nietszche, a qual considera a mais absurda. Há também, no pseudo-ensaio "A Aproximação a Almotásim", uma certa forma de eternidade, onde um indivíduo procura indefinidamente um reflexo de personalidade que julga ter visto em outra pessoa - tarefa que seria possível considerar infinita. No campo da linguagem, o autor trata de justificar o porquê de as metáforas serem inúteis, ou desnecessárias, principalmente na literatura arcaica nórdica; faz uma análise dos tropeços esdrúxulos das traduções de "As Mil e Uma Noites"; e ainda tem a manha de redigir ao final do livro, um ensaio de certa forma cômico, sobre formas de se insultar("A arte de Injuriar") alguém de um jeito inteligente e certeiro. Ninguém melhor para analisar as linguagens metafóricas arcaicas, assim como as várias traduções de "As Mil e Uma Noites", do que o homem que brinca com a língua como se fosse Lego. E, sem dúvida, ninguém melhor do que um homem que cria realidades eternas em seus contos, para criticar a história das teorias da eternidade. Um livro que causa estranhamento por ser de ensaios, não de contos como a maioria do autor, mas que nem por isso deixa de ser fantástico.

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