Conheci alguns poemas de João Cabral de Melo Neto durante meu ensino médio (2008-2010), através do professor de literatura Johnny Formiga. Essa seleção de poemas feita por Antônio Carlos Secchin é o meu primeiro contato com o poeta pernambucano desde então.
O livro reúne diversos poemas, na maioria deles João Cabral monta/descreve lugares e paisagens de Pernambuco (sobretudo do Recife). "O Relógio" e "Catar Feijão" foram poemas que de cara lembrei de tê-los lido e estudado na escola, assim como o maravilhoso auto - e inevitável destaque do livro -, "Morte e Vida Severina", que retrata a trágica sina dos retirantes do Recife. Os poemas de João Cabral parecem livres do rigor dos padrões de métrica e ritmo, o contrário de como geralmente são poemas e poesias. O poeta também migrava tranquilamente entre os versos livres e os versos rimados. E quando rimados, eram compostos em sua maioria por rimas imperfeitas toantes. Confesso que muitas vezes a ausência da métrica e de ritmo nos versos dificultou a minha leitura, mas nada que diminuísse a beleza presente nos poemas.