Gertrude Stein marcou definitivamente a literatura moderna ao escrever Três Vidas, Ida e esta Autobiografia de Alice B. Toklas. Aqui, usando como porta-voz sua companheira de 25 anos, Alice B. Toklas, Gertrude Stein faz a crônica perfeita dos vertiginosos anos do começo do século em Paris, quando jovens então desconhecidos, como Picasso, Matisse, Hemingway, Juan Gris, Apollinaire, Cocteau e outros, preparavam a maior revolução que se tem notícia nas artes e nas letras.
A autobiografia de Alice B. Toklas -
Gertrude Stein
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Ver mais“A autobiografia de Alice B. Toklas” foi escrita por Gertrude Stein, minha edição é da Cosac Naify, mas a obra também está disponível pela editora L&PM A autobiografia de Alice B. Toklas mora na minha estante há anos, após a leitura de “Shakespeare and Company” e “Paris é uma Festa”, achei que era a oportunidade perfeita para romper o plástico e iniciar a leitura. Mas confesso, que por causa das leituras anteriores, minha simpatia por Gertrude Stein não era tão grande. Gertrude rompeu com os padrões conhecidos da autobiografia, ao escrever — e assinar — uma autobiografia de outra pessoa. Dividida em partes, a primeira é “Antes de eu vir a Paris” com apenas 3 páginas; a quarta é “Gertrude Stein antes de vir a Paris” e conta com 16 páginas, isso é um indicativo visual do verdadeiro foco desse livro. O estilo de escrita é bem peculiar e em alguns aspectos me desagradaram, como a confusão na linha do tempo que vai e volta e se repete, ainda que eu compreenda a intenção da autora de transportar o leitor para dentro da cabeça de Alice enquanto ela rememora sua vida. A estrutura da construção de algumas frases me deixou confusa, quebrou meu ritmo de leitura com suas repetições de palavras, como por exemplo “Devo confessar que fiquei terrivelmente nervosa até elas voltarem, mas voltar elas voltaram.”, “Conversaram então, mais e mais, muito um com o outro.”. Como essa estrutura se repete no texto, não acredito ser algo ligado à tradução e sim ao estilo da autora. Mas posso estar muito enganada rsrsrsrsrs Sobre o conteúdo, não tem como julgar a vida de uma pessoa, mas posso dizer que gostei do que foi contado, de ver como as duas mulheres participaram ativamente da guerra. Ainda que eu não concorde com alguns posicionamentos de Gertrude, ela teve minha simpatia ao admitir certos aspectos negativos de sua personalidade “Gertrude andava nessa época um pouco amarga, todos os seus manuscritos inéditos e sem esperança de publicação ou de reconhecimento sério”. Foi uma boa leitura, mas não entra para a lista de favoritos ou releituras.
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