Nem todo amor é romântico, alguns são loucos, destrutivos e viscerais.
A obra sintetiza o estilo realismo sujo, misturando ficção com a própria vida degradada do autor em Los Angeles. O amor é retratado de forma obsessiva, violenta, física e quase sempre trágica, com uso de termos obscenos, gírias e descrições explícitas de sexo e violência, humor ácido e autodepreciativo para lidar com a miséria humana. Textos direto, sem floreios poéticos tradicionais, mas com forte carga emocional. O livro choca pelo conteúdo explícito, mas é aclamado por revelar a solidão e o desespero da sociedade moderna sem máscaras ou hipocrisia. Ele assume que é um bêbado, apostador e cheio de falhas, o que gera uma forte conexão de honestidade com o leitor. Para ele, a vida era um absurdo, e a única forma de sobreviver era aceitando o caos. O uso de expressões obscenas e agressivas cria uma sinestesia violenta. Uma coletânea de contos independentes que retrata a marginalidade, o alcoolismo e a busca obsessiva pelo amor através de relatos crus e autodestrutivos. "Ela tinha um belo corpo e bom senso. Mas era um pouco louca". A admiração de Bukowski estava ligada às mulheres reais, complexas, intensas e que carregavam uma dose de loucura e rebeldia que combinava com o seu próprio caos interior e o que mais impressiona é esse paradoxo: o mesmo autor que usa palavras repulsivas para descrever suas ressacas é o que destila uma sensibilidade urbana avassaladora ao flagrar o magnetismo de um par de pernas: "Sempre fui gamado por pernas, a primeira coisa que sempre me chama a atenção são as pernas. Mulher saindo do carro me deixa completamente zonzo". Os textos aqui alternam entre o lirismo trágico de contos sobre paixões intensas e relatos viscerais sobre a pobreza, subempregos e a vida nos subúrbios. Não existe uma grande lição de moral no fim, não há redenção para os personagens e ninguém é salvo, pelo contrário, traz o peso de um soco que você sabia que ia levar, mas não conseguiu desviar.



