As duas novelas que formam este volume foram publicadas originalmente como parte de "Corpo De Baile", passando a ter vida editorial autônoma, sob o título de "Manuelzão E Miguilim".
Manuelzão e Miguilim -
João Guimarães Rosa
Corpo de Baile: Manuelzão e Miguilim
Manuelzão (Uma Estória de Amor) A história do personagem Manuelzão é baseada na vida real do vaqueiro Manuel Nardi. Manuelzão é um senhor vaqueiro solteiro cuja vida já se aproxima da velhice. Respeitado por todos nos arredores da Samarra, a fazenda que administra com zelo, e desfrutando de uma vida confortável, decide fazer uma festa de inauguração da humilde capela que construíra em devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Durante a inauguração e a festa, Manuelzão é levado a profundas reflexões sobre seu passado, sobre sua vida atual e sobre os rumos que sua vida poderia ter tomado. Além das reminiscências que faz de sua própria vida, Manuelzão nos convida a observar um pouco da vida de todas as pessoas que festejam com ele. Com uma narrativa poética, rimas e muita sensibilidade, João Guimarães Rosa, nos mostra a vida dos vaqueiros e suas famílias, abordando temas como amizade, fé, confiança, saudade, generosidade e bondade. Miguilim (Campo Geral) Trata-se de um romance regionalista cujo personagem principal é Miguilim, um menino por demais de esperto que vive no vilarejo do Mutúm lá no sertão dos Gerais. Eu tenho um carinho especial por protagonistas infantis, e Miguilim ganhou meu coração por sua inocência e sua curiosidade em compreender o mundo dos adultos. Dito, seu irmão mais novo e seu melhor amigo, é dotado de uma sabedoria que nem mesmo os adultos têm, mas lhe é tão imanente que ele sequer tem consciência de que a possui. A história é tão bem escrita que nos aproxima dos personagens e de suas vidas simples, de poucos recursos, sem grandes sonhos e de muito trabalho. O que falta em conforto no Mutúm, sobra em riquezas naturais das quais alguns de nós jamais viu, e o conhecimento dos personagens sobre as espécies de animais, a terra, as plantas e árvores foi quase humilhante pra mim, que só conheço cachorros e gatos... e ipês. João Guimarães Rosa não abre mão de narrar a história fazendo uso da linguagem própria da região: o falar sertanejo. Confesso que foi difícil por demais da conta me adaptar à escrita dessa linda história, e essa dificuldade é uma demonstração clara da riqueza da nossa língua mãe da qual eu tanto me orgulho. E com essa lindeza de simplicidade, Rosa nos mostra que, sejamos do sertão ou da cidade, todos nós somos seres complexos, dotados dos mesmos sentimentos e emoções e precisamos lidar com problemas próprios da natureza humana: conflitos familiares, perdas, mágoa, inveja, ira, amizade, amor, perdão e amadurecimento. Miguilim, mesmo sendo criança, não é poupado das agruras da vida, mas ele não é diferente de muitos meninos da sua idade, que gosta de brincar e é cheio de curiosidade. A descrença e frustração de sua mãe, não lhe tira a esperança de conhecer o mar e tudo o mais que existe para além do Mutúm. "Mar era longe, muito longe dali, espécie duma lagôa enorme, um mundo d’água sem fim, Mãe mesma nunca tinha avistado o mar, suspirava. — “Pois, Mãe, então mar é o que a gente tem saudade?"" Apesar dos reveses, Miguilim e Dito me ensinaram que vale a pena viver e sonhar; e que é possível preservar um espírito alegre (por dentro), inabalável pelo temporal do lado de fora. Porque assim como o sol vai mas depois volta, o temporal vai cessar em alguma hora. “é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro!...” Amei! ♥️✔️
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